25.01.03
Búzios Praia, praia, praia. Sol, sol, sol. Peixe, peixe, peixe.


20.01.03
Dez da manhã Acredite se quiser. Na sexta quando eu fui dormir, tive um sonho. Acordei no sábado tipo oito e meia. Como foi bem agradável tornei a dormir e continuei a sonhá-lo (até aí tudo bem). Acordei dez e meia e fui cuidar da minha vida. Quatro da tarde fui tirar um cochilo (tirar um cochilo é meio ridículo, né? É que eu não quis repetir a palavra dormir). Continuei o sonho. Essa noite de novo! Ou seja, um sonho em três capítulos, como uma novela!


Volto em fevereiro. De vez em quando vou passar num cyber. Não se comportem. Beijos.




O que tem importância nesse mundo a não ser o amor?



17.01.03
Passei na casa do meu amigo, estava com saudades, perdi meu caderninho de telefones - estou ilhada. Conversamos bastante, na verdade só eu falei e pelos cotovelos. Depois encontrei Helena e fomos com as crianças para o Gávea Golfe. Sempre quando faço coisas assim, deliciosamente burguesas, é com ela, que tem a chave. Ficamos na piscina, almoçamos, parece que o tempo pára, tudo tão silencioso e verde. Depois que saí da piscina, toalhas quentinhas, ducha confortante. Um dia perfeito.


zen parece que passei o dia inteiro fazendo yoga.



15.01.03
Início da madrugada Estou fazendo uma faxina no escritório, daquelas que você não tem como voltar atrás. No chão, uma montanha de livros e jornais, revistas, papéis, pilhas de coisas. Me desfaço do máximo que posso, Veja, Isto É, Época, Carta Capital, Dinheiro - jogo fora todas as datadas e deixo só as retrospectivas anuais, as edições históricas (como a vitória do Lula, a destuição das torres), uma ou outra coisa. Pisei numa tachinha, que entrou inteira no meu pé. Mudo as fotos do mural, passo perfex com álcool na escrivaninha. O caos.


Quarta-feira, quase uma da tarde Ontem fui ver Casamento Grego, é engraçadinho. Estou lendo às cartas do Caio F. Abreu e adorando. Mil coisas por aqui, sem tempo. Marisa Raja Gabaglia morreu - eu adorava Milho pra Galinha, Mariquinha.

A invasão da dor alheia é uma coisa desprezível. Quando minha mãe morreu, a TV Globo estava no São João Batista, gravando uma cena de novela. Eles tomam conta do lugar e não se tocam que ali estão tendo enterros de verdade. Diretor gritando, câmeras passando por cima dos túmulos, uma coisa incrível. Nunca vou esquecer, no entanto, de que quando passamos por uma das alas, o ator Armando Bógus tirou o chapéu, colocou-o sobre o peito e abaixou a cabeça.

Ainda 2002

A pior coisa: Seu Creisson
A melhor coisa: A gargalhada da Lilian Witte Fibe, no Terra.



Morreu Jorge Lafond. Dizem que era muito gente fina, não vou dar uma daquelas - só porque a pessoa morreu, ela era ótima. Sinto dizer, mas Vera Verão era a coisa mais chata que já existiu no planeta.



As 10 coisas de que mais gosto - de que eu preciso sempre - pela ordem: mulher, cigarro, frio, música, comida, bebida, piscina-mar, as flores e o campo (Antônio Maria)



Correspondência eletrônica

Marina & Mariana,

Excelente esta nova brincadeira.
Enquanto penso na minha, aqui vai um 'causo', despertado pela menção à Mia Farrow.

Na época de lançamento do filme "O Bebê de Rosemary" (1968), o escritor Ray Bradbury ficou extremamente incomodado com o final: a criança filho-do-demônio chorando, os vizinhos malignos não sabendo o que fazer; e a mãe, Rosemary -- cujo instinto maternal acaba falando mais forte --, pega a criança nos braços e a acolhe. The end.

Inconformado, Bradbury, reescreveu o final: Rosemary pega a criança e ela pára de chorar; aproveitando uma distração dos satanistas, ela sai correndo porta a fora, com a criança no colo. As pessoas vêm atrás dela, correndo pela rua deserta e chuvosa. Rosemary corre para uma porta entreaberta, a catedral vazia. Entra e os adoradores do demônio chegam à porta, não conseguindo entrar naquele local sagrado, e ficam lá urrando "volte aqui!". Calmamente, Rosemary se aproxima do altar, depositando nele a criança. Olha para cima e diz: "Senhor, meu Deus, aceite Teu filho de volta!". Sendo a criança, filho de Lúcifer, ali estava a chance de curar as feridas entre o Céu e a Terra, que ocorreram no início dos Tempos, dando fim a todos os conflitos. Rosemary e a criança são banhadas de luz e, ao fundo, ouvimos os gritos frustrados dos satanistas. Mãe e filho sorriem um para o outro. The end.

Beijocas cinéfilas,
Tom

p.s.: adoro a internet, fui checar esta história que eu sabia 'de orelhada' e, de fato, a encontrei aqui.  



12.01.03
"E aqui, antes de continuar este espetáculo, é necessário que façamos uma advertência a todos e a cada um. Neste momento, achamos fundamental que cada um tome uma posição definida. Sem que cada um tome uma posição definida, não é possível continuarmos. É fundamental que cada um tome uma posição, seja para a esquerda, seja para a direita. Admitimos mesmo que alguns tomem uma posição neutra, fiquem de braços cruzados. Mas é preciso que cada um, uma vez tomada sua posição, fique nela!Porque senão, companheiros, as cadeiras do teatro rangem muito e ninguém ouve nada".

(Oduvaldo Vianna Filho, na peça Liberdade Liberdade, de Flávio Rangel e Millôr Fernandes. 'Trecho introduzido no dia da estréia, a pedido do arquiteto Lúcio Costa que, tendo assistido ao ensaio geral, sugeriu aos autores que fizessem alguma coisa com referência ao lamentável barulho das cadeiras do teatro. Não podendo apelar para a engenharia, os autores apelaram para o humor')




Saquarema

Lagarto de estimação, praia deserta, show de vagalumes. Fomos no Museu do Rock, é muito legal. O Serguei é fofo.
Na sexta dormimos em Búzios, encontramos amigos e fomos jantar no Capricciosa, com o Milton Nascimento*. Fog em Geribá.
Fizemos feijoada para nós duas.Morceguinho filhote, silêncio, minissérie, Jô. Antonio Maria, sol, ventilador, caminhadas. Vimos um alemão que, de tão lindo, parecia o Sting na sua melhor fase. Antonio e Lúcia. A cigarra e a formiga, dormir com o barulho das ondas, segredo número 8, igreja e pracinha. Fiz uma tatuagem.

*Seguinte, uma amiga da minha prima estava no grupo do Milton Nascimento. É assim, ele gosta de ficar cercado de muitas pessoas mas tem que ter certeza de que ninguém vai assedia-lo. Ele não anda na Rua das Pedras, só na Orla Bardot, que é bem mais tranquila. Então o jantar foi assim. Muita gente falando, mesona, ele na dele. Eu e a minha prima pedimos uma pizza pra rachar. No final, ele pagou tudo. Adorei. Mas a Claudia é super politicamente correta e disse que não se sentia bem com isso, etc e tal, daí eu falei para a assessora dele: Nós ficamos constrangidas de não pagar a nossa pizza. E ela: "Psssst, ele não gosta que digam isso." Achei super estranho e me arrependi de não ter pedido uma pra cada.



06.01.03
Indo pra Saquarema segunda bem cedo, com a minha prima Claudia. 



Restaurante com televisão só é admissível na Copa do Mundo.



Ontem fiz mil coisas, providências antes de viajar. Depois almocei com a minha filha uma feijoada no Bofetada. Por causa do calor, optamos pelo Bofetada Up, que tem ar condicionado e eu nem sabia que existia. A feijoada estava qualquer nota, mas almoçar com ela foi delicioso. De noite fui assistir Edifício Master, que é muito bom. Tão bom que são entrevistados 37 moradores do prédio (que tem por volta de 500) e parece que foram só uns quinze.

Charlie Brown Jr. na TV Cultura. Chorão engordou muito mas continua sexy.





04.01.03
Quero voltar ao diário de papel.




Fui beber na mesa em que estavam Lana Turner, Jorginho Guinle e Luiz Santos Jacintho. Lana Turner está envelhecida e sabe disso, porque se defende muito, fazendo olhos, bocas e perfis. Mas, ainda assim, é uma mulher. Jorginho me disse (com um sem-intusiasmo muito bem fingido) que já dormira com ela. Talvez seja verdade. Em seu lugar, eu não contaria. (Eu acho que contaria - perdão). Mas, se contasse, seria com indisfarçável orgulho. Não saberia comer uma mulher de certa importância sem comer-lhe o nome, com alguma honra. Mas meu encontro com Lana Turner não chegou, ao menos, a ser agradável.

Depois, à minha esquerda, sentaram-se Anita Eckberg, o marido e um brasileiro que falava inglês. Eu estava bêbado. Só vi mesmo que era Anita depois que ela saiu. É um mulherão. Uma enfermeiraça. Mesmo assim, bela (...) Antes, sentara à mesa com Didu, Tereza, Dirceu Fontoura, Dana Mendonça e Ari de Castro.(...)

Gente boba e vazia. Vaidosos, frívolos, ricos. Gosto, porém, de conhecê-los cada vez mais, para ver até onde chega sua organizadíssima miséria humana.

(O Diário de Antônio Maria.)





03.01.03
Celibato

Porém
ainda aguardo
o estrondoso perfume.

Ledusha





Está fagundes bossa nova na tevê. Acho este filme fagundes. É muito bonitinho, vale a pena fagundes. Tem umas cenas bem fagundes, eu gostei.





Mariana e eu lanchamos na Travessa, uma orgia gastronômica: milk shakes, sanduiches de rosbife, de brie com damasco, mates e coca-colas. Como vou viajar na segunda, comprei sem culpa um kit básico: Antonio Marias, do Joaquim, Exercícios de Levitação, da Ledusha, e Cadernos de Sonhos, da Ana Miranda, por que eu já estava de olho há um tempão. Sonho é meu mistério predileto.

(Pois não é que anteontem, no meio do sonho, me dei conta que estava sonhando e, pela primeira vez, aproveitei ao máximo?)

Mariana me deu dois marcadores feitos por ela. São tão lindos - e a letra dela? A mais linda que já vi. Ah, sim, combinamos que estaríamos ambas de bolsas coloridas.

Cheguei mais cedo e fiquei olhando as bolsas das mulheres. A livraria borbulhava. Resolvi ligar pro celular dela.

"Mariana, você já chegou na Travessa?"
"Acabei de entrar"
"Tá de bolsa colorida?"

Daí olhei pra minha frente e vi uma garota falando no celular, a um metro de mim. Desligamos juntas e rimos.

Às vezes minha vida é bem divertida.



02.01.03
As melhores frases do cinema

"Frankly, my dear, I don't give a damn" (Reth Buttler para Scarlet O'Hara, em ...E o Vento Levou)

Na época, damn era uma palavra muito forte, quase um palavrão. Temendo um corte da censura, o diretor filmou outra versão: "I don't care". Após seis meses de negociações, a Metro convenceu as autoridades a liberarem a frase original.


01.01.03

Prezado Senhor,
Através dessa missiva quero informar-lhe que eu sou carente financeiramente e assim é dificílimo para eu e minha companheira R. desfrutarmos do Escort Motel e então nós gostaríamos de ser agraciados com um convite de 1 hora e seria a nossa grande felicidade.
Peço-lhe o obséquio para que dialogue com o proprietário daquele mesmo motel viabilizando tal pedido.

Dr. estarei ansioso com a sua resposta positiva e espero que o senhor não faça escárnio da minha pessoa e eu quero apenas um convite para desfrutar com a minha companheira R. o melhor da vida lá no Escort Motel.

Desde já agradeço a todos vocês devido ao apreço, respeito e consideração e eu sou ouvinte assíduo dessa emissora famosa e inteligente e é verdadeira universidade.

Edson
Solidão, Beldord Roxo, RJ


(Endereçado ao Sidney, na CBN)





olê olê olá lulá lulá




La Barca Perguntei a recepcionista se poderia transformar minha camiseta numa pulseira, deixando bem visível o logo da cervejaria. Ela disse que a camiseta não era obrigatória. Logo ficamos sabendo que a capitania dos portos tinha impedido o acesso do cargueiro até Copacabana, que teríamos que ficar por ali mesmo, na Baía de Guanabara e ver os fogos de Niterói. Tínhamos ainda alguns minutos pra decidir se iríamos ficar ou ir pra casa do Chico Caruso. Eu, como convidada da Cora, por que eu não estou com essa bola toda, meus anjos. A cantora, O., linda, disse que não iria passar o revéilon na Baía de Guanabara e que estava com vontade de passar a noite abraçadinha com o José Lewgoy. O poeta de cabelos longos também estava a fim de sair fora. Ficou aquele impasse. Por fim, eles foram e resolvemos ficar, a Cora queria ver qual era.

Eu me senti dentro da Contigo.

-Aquela ali não é a Kelly Key?
-Não...
-E aquela?
-Também não...
-Olha a Kelly Key com o Latino
-Aquele é o Latino mas aquela não é Kelly Key não

Para mim, metade das mulheres (quase todas louras) era a Kelly Key e a outra metade, a Mônica Santoro. As mulheres estão cada vez mais parecidas.

Vi dona Jura derrubar uma garrafa de chandon nos cabelos.

Apesar dos convidados ecléticos, a festa foi muito bom astral (a Cora me garantiu que ainda se usa este termo). As pessoas se abraçavam desejando um ano feliz, mesmo sem se conhecerem, e eram gentis. Não teve brigas e todos estavam tranqüilos. Jantamos na mesa da família Goulart, que compareceu em peso. Conversei sobre blogs com o Paulo, e com a Nicette comentei:

-Esse homem dizendo eu te amo deve ser uma coisa, hem?
Ela concordou, levantando os olhinhos pra cima. Em um certo momento ele deitou a cabeça no ombro dela e cochilou. 

Fiquei com a Cora fotografando na murada, conversando sobre as coisas da vida, foi muito legal.