Não sou moderna, não sou eterna, não sou drummond.


30.07.05





Sábado especialmente chato. Peguei E Deus Criou a Mulher, na locadora, sempre quis ver esse filme, Brigitte Bardot, nem acredito, que ótimo. Comecei a ver, que filme chato. Eu sabia que bom não era, mas não sabia que fosse tão entediante. Stop, fui fazer outras coisas, um monte de coisas. Voltei a vê-lo, clique, não dá. Fui pro word e escrevi bastante. Voltei pra ver o resto, caí no sono.

Roger Vadim achava que bastava colocar Brigitte andando de bicicleta, vestido desabotoado na frente, às vezes abraçada com um coelhinho, sempre descalça - mesmo vestida de noiva -, fazendo beicinho, baby selvagem, e roupas Saint Tropez. Mas. 






Blogbuster






28.07.05
Ônibus Olá! Meu nome é Gilberto. Gilberto veio aqui para apresentar um aparelho que vai facilitar a vida das donas-de-casa. A dona-de-casa vai descascar o legume e a fruta com mais facilidade. Olhaí, gente, você vai descascar desde uma laranja (demonstra) até uma batata (demonstra). Também serve para a cenoura (demonstra). Bom para fazer batata chip ou uma deliciosa salada de frutas. Fatiar o queijo prato ou fazer um salpicão. Quem gosta de salpicão levanta a mão. É bom ou não é esse aparelho? Batata noisette, você faz aquelas bolinhas (demonstra). Você pode fazer legumes e frutas para decoração. Quanto custa, hein? Nas Lojas Americanas têm, em Niterói você acha, Copacabana entrega por 5 reais, tá barato. Sabe por quanto o Gilberto entrega?Um por três ou três por cinco. A moça aqui diz que já tem um. Gilberto vendendo coisa boa (desfia uma cebola, distribui o corta legumes). Quem vai querer? Oportunidade única. Quem mais quer, quem mais quer? Aí, piloto, brigadão!

Isto é o Rio de Janeiro :)








Melinda & Melinda Passo a manhã e a tarde na rua, e entro no cinema cheia de sacolas de livros. Sinto frio demais e por isso vou toda equipada. Mas o ar condicionado é fraco e faço malabarismos pra tirar a jaqueta sem incomodar a mulher ao lado. Ouço o barulho do tecido rasgando, primeiro uma manga, depois a outra. Logo em seguida coloco a jaqueta, tiro a jaqueta e coloco de novo. As sacolas deslizam dos meus joelhos e vão parar embaixo da cadeira da frente. A caneta cai da bolsa em cima do meu pé. Termina a sessão e quando já estou na porta, uma senhora me chama:
- Você que esqueceu umas meias de lã lá dentro?

Deus do céu.






27.07.05
Presa fácil Fico imaginando se eu tivesse um marido corrupto e me chamassem para depor na CPI. "Quando foi que...?" Não lembro. "Quanto você retirou...?" Não lembro. "Que dia seu marido se reuniu na casa de vocês com o ministro...?" Não lembro. Ia acabar algemada.

Quando eu morava num condomínio, sempre pensava – e se houvesse um assassinato aqui dentro? E se me chamassem para depor e apresentar um álibi? "O que a senhora estava fazendo terça-feira, dia 23, às 5 da tarde?" Algema.

Sempre fiquei impressionada como nos romances da Agatha Christie, os personagens podiam dar conta de lembrar o que faziam na hora do crime.




26.07.05

                             Set
                                Cidadão Kane  
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Pilates, deixo pro dia seguinte. Colocar remédio no ouvido das três gatas, finjo que esqueci. Esse meu lado me faz mal e eu abomino.

Gosto de, depois de guardar a comida que restou do jantar, fechar o fogão e colocar o pano de prato atravessado em cima. É realmente uma coisa antiga, daí a graça. Tb gosto de ir até a sala quando é muito tarde para observar o silêncio inquietante dos objetos.






Porque lá em casa / mesmo quando não tinha trabalho / Tinha trabalhador. M.Y.


Assistindo a sra. Marcos Valério e um monte de políticos que aproveitam pra fazer um horário eleitoral básico. Por sorte, mudo de canal e tem entrevista com Marcelo Yuka - outro país.



Li numa pesquisa que 70% das pessoas que pegam táxi puxam assunto sobre o tempo.


25.07.05


sim, sí, oui, kyllä, naí, ja, igen, si, tak, ano, yes



Não acontece nada na minha vida. Um ator me escreve e fico feliz quase a ponto de emoldurar o email. As coisas mais simples fazem a minha cabeça: ônibus com motorista mulher. Em Botafogo vejo uma jovem fazendo malabarismo. Ela usa uma saia rodada, camiseta de manga comprida e bolsa de crochê atravessada. Seus pés estão imundos porque está descalça. Aparenta ser uma estudante de teatro ou circo, teve uma época que circo era tudo de moderno mas agora não sei mais.

Ela fazia malabarismos com aquelas garrafinhas de boliche, não com bolas, mas com garrafinhas. Parecia bem classe média. Repare você que a classe média está sempre querendo cortar o barato dos pobres, agora assaltam e catam moedas no sinal.

Sento no banco para esperar o ônibus e três mulheres simples estão indignadas, puxando pro bom humor. Tipo "lavar um tanque ela não quer". Clichês, também sei um monte deles. Rimos todas. Listamos opções para ganhar dinheiro fácil no sinal vermelho. "Quem souber sambar, é uma boa", digo. A mais velha fala que o marido a mataria e a mais risonha que o troco que não daria nem para o café, "tenho 54!". Uma outra diz que tem 51; eu não digo nada. E avisa que na rua São João Batista tem "uma mulher que dança cheia de véus". Dança do ventre, dança dos sete véus? pergunto, realmente interessada. Ela não sabe explicar. Uma delas gostaria de deixar de lavar roupa, "eles ganham muito mais do que nós", "esses meninos que pedem trocados chegam a ganhar cinco mil reais por mês", exagera. "Os homens devem dar um trocado e bilhete com telefone", digo sobre a menina de saia. Elas morrem de rir e prometem pensar em alguma coisa pra entrar nesse ramo também. "Bom faturamento!", grita a risonha, quando as duas sobem no ônibus. Ri. Quando finalmente chega o 354, subimos juntas, passamos a roleta, mas sentamos em lugares muito distantes uma da outra.


23.07.05



Angels in America Nada que é muito bom é longo demais. O filme vai se revelando aos poucos. E quando a gente pensa que uma coisa vai acontecer acontece outra. E o final. O elenco é da pesada, mas  Al Pacino repete sua atuação em O Advogado do Diabo.




Quando não dá mais pra bancar a gostosa, que tal ser simplesmente majestosa?
Jane Shilling

É verão e a vida é para ser aproveitada… então a Vogue americana publica uma série de fotos do countryside inglês, mostrando como a nata da sociedade inglesa se comporta durante a nossa breve mas gloriosa belle saison. Então, quem é esta figura aristocrática, vestida em chiffon creme e cashmere, com o seu cabelo impecavelmente arrumado, e que alegremente alimenta suas galinhas, com uma country house inglesa ao fundo?

Em outra foto, ela aparece andando a cavalo, vestida com um traje de montaria e botas um tanto estranhas. A última e mais bonita de todas é aquela onde ela aparece com as crianças. A saia esvoaçante de seda, o sorriso impecável de uma mulher que sabe ter vivido a vida plenamente e duas crianças angelicais, uma menina em trajes de fada e um menino em trajes medievais, carregando uma espada tão grande quanto ele mesmo.

Quem é a mulher nas fotos? Matriarca? Mulher do campo? Grande dama? Eu vou tentar lhes dar uma pista. O que pega são as galinhas. Será ela a Duquesa de Devonshire? Fotos antigas, dos anos trinta, a mostram no auge da sua beleza. Pode-se achar estranho o fato de ela estar usando chiffon para alimentar as galinhas, mas afinal de contas os ingleses são excêntricos, certo?
Errado. A aristocrata loira e rosada, que posa tão charmosamente com as galinhas, o caçador e a linda casa é, de fato, a Material Girl em pessoa — Madonna, charmosamente fotografada para a Vogue americana como a Nossa Senhora do Castelo. Quem diria!

Não que a última encarnação de Madonna seja uma completa surpresa. Entre uma e outra persona que ela encarna – a dominatrix boca suja em trajes fetichistas, a estudiosa em busca de conhecimentos cabalísticos, a meiga bibliotecária em trajes Prada no lançamento de seus livros — Madonna tem aparecido de tempos em tempos como a Esposa do Campo.

Ainda assim, não é estranho que ela se disponha a se mostrar como a perfeita dama inglesa em uma época em que a aristocracia inglesa está tão fora de moda e sob constante ataque? Será que ela está perdendo aquele “edge” que a tem mantido à frente do jogo por tanto tempo? Não, ela não está. De fato, eu acho que o que ela fez foi dar uma boa olhada no futuro para ver o que a aguardava, e descobriu uma solução maravilhosamente pragmática para viver o resto de sua vida.

Sempre me surpreendo quando leio as coisas que jornalistas gordos, feios e carecas escrevem sobre Madonna, sua contemporânea fabulosamente bem conservada. Alguns a descreveram como estando na menopausa ou velha demais, depois da sua apresentação no concerto do Live 8 no Hyde Park. Sei, e que tal dar uma olhada no espelho, hein, pessoal?

Eu suspeito que o segredo do fenômeno Madonna seja uma certa inquietude que assegura que ela não fica sentada reclamando da imprensa, mas sim se movimentando para a próxima etapa, e para a seguinte, e para a outra depois desta. O problema é que, aos 46 anos, você começa a não ter mais coisas novas para mostrar.

Não importa o quão bem conservada, uma mulher inteligente como Madonna (e ela certamente é inteligente), sabe que não dá para ser a gostosa do pedaço por muito mais tempo. O resultado é simplesmente sinistro, como muitas outras antigas belezas, agora cheias de Botox, podem confirmar. Então, qual é a alternativa?

Nos Estados Unidos simplesmente não há alternativa. A menos que você seja a Barbara Bush, você continua a emagrecer cada vez mais, os seus olhos vão ficando cada vez mais arregalados, e você vai ficando cada vez mais triste e amargurada, até desaparecer de uma vez. Você pode achar que a Madonna talvez pudesse vicejar na França, onde o charme é considerado eterno, mas os franceses são tão intolerantes com a excentricidade (e o seu cenário musical é tão peculiar). E, além disso, ela é casada com um inglês.

Então, o que os ingleses têm a oferecer a uma estrela do rock de 46 anos — fora um bando de jornalistas gordos e mal amados? Na verdade, mais do que você imagina. As pessoas sempre pensam nos países latinos como sendo o mais matriarcais, mas na Inglaterra nós mantemos uma longa e forte tradição de belezas pálidas e graciosas que lidam com a transição de ninfa em flor para a meia idade e a velhice tornando-se simplesmente Majestosas.

Para maior sorte de Madonna, nossa versão de Majestosa vem em uma série de encarnações. Tem a Majestosa Roqueira Chique, como, por exemplo, Anita Pallenberg, Marianne Faithfull e Jane Birkin, todas elas tão adoradas agora – com rugas, experiências extremas de vida e tudo o mais – quanto elas eram no auge da sua juventude.

Mas se a Madonna não faz o tipo de celebridade simples, nós também temos, para sorte dela, o tipo Majestosa Senhora Nobre, que pode muito bem lhe servir. Considerem a foto da Rainha Mary aos 50 anos, ou (para sermos mais atuais), de Lady Annabel Goldsmith. Observem a postura magnífica, a auto-segurança inabalável, as imensas quantidades de diamantes (ou brilho de algum tipo), e digam-me se vocês não vêem o modelo da Material Girl daqui há alguns anos.

Olhando de novo para estas fotos da Vogue, eu acho que a Madonna fez a escolha certa. Aos 46 anos ela ainda é bonita o bastante para ocultar o poder por trás do charme. Dêem uma olhada nela daqui uns trinta anos e vocês verão que ela se transformou em uma das tias de P. G. Wodehouse.

Este texto é grande, eu sei. E-nor-me. Nunca consigo ler um troço desse tamanho num blog. É dedicado aos fãs da Madonna. Atenção, atenção, foi publicado hoje, dia 22. Entenderam? Um blog globalizadíssimo. Foi traduzido especialmente (que luxo!) pela muito querida Denize F.. Saiu no The Times.

Dei uns espacinhos pra quem quiser ler pegar fôlego.


Na cama com Madonna


As fotos da Vogue americana, mostrando sua vida inglesa, sua casa, seus filhos, suas coisas, suas ovelhas coloridas.




Para Charlô, que adora, e acha que ela deveria ter feito o papel de Satine, em Moulin Rouge, pelos mesmos motivos que eu acho que ela não deveria.





Diário de um sonho Vinho e cinema. Nós dois.




21.07.05
Fast Google Todas as obras de Gilberto Freyre foram escritas a bico de pena. Balzac só escrevia tomando xícaras e mais xícaras de café. Victor Hugo escreveu Os Miseráveis em pé. Pedro Nava parafusava os móveis de sua casa a fim que ninguém o tirasse do lugar. Castro Alves também era pintor e compositor. Somerset Maugham escrevia a mão.









20.07.05
Vi "Um Toque de Classe", total anos 70. Adorei. Glenda Jackson está linda e George Segal fez a minha cabeça. Ri, mas no final chorei por dentro. As músicas foram traduzidas com letrinhas, tinha que ser sempre assim. A última parece que foi feita sob encomenda pra mim, me encaixei.



                           


Arthur Miller escreveu o conto Please, Don't Kill Anything observando o comportamento de sua mulher, Marilyn Monroe, que adorava os animais e um dia ao ver pescadores com suas redes cheias de peixes, começou a atirá-las de volta ao mar. Marilyn também replantou com raiva as plantas que foram podadas do seu jardim.



Clarice L., sobre seu filho Pedro, 1954

Avany mandando ele guardar os brinquedos, e ele se negando e com preguiça.
Avany: - Essa é engraçada. Você brinca com os brinquedos e sou eu que tenho que guardar!
Pedro com voz pausada, claramente "citando":
- "Pois o homem deve trabalhar e a mulher deve chorar."
Eu espantada: Chorar? Chorar? Chorar?
Ele sorrindo meio pomposo: é!
Eu: quem te disse isso?
Ele: Ninguém. Eu li na enciclopédia.
Eu: que tipo de história?
Ele: Não era história! É poesia.
Eu: Você gosta de poesia?
Ele andando de um lado para outro, e com um ar meio de orgulho, meio desprezo, e muita segurança:
- Algumas!
- Pedro, como você explica que os homens devem trabalhar e as mulheres chorar?
Ele, um pouco impaciente comigo:
- Ah, mamãe, isso é poesia!




                                             
                                                                      Kate Moss, por Corinne Day



Quarta-feira tem programão (em ambos os sentidos) na GloboNews: CPI com Delúbio. Não esqueçam as pipocas.

update, quarta: o chato é que Delúbio é péssimo ator, o que atrapalha muito o espetáculo. Tem péssima dicção etc etc. E está sempre rindo - deve ter seus motivos. Agora o senador Saturnino Braga faz uma pergunta. É homem muito digno. Eu gosto tanto mas tanto dele que no outro dia o encontrei no teatro e pedi pra lhe dar um beijo. Tb gosto do Pedro Simon, mas não tanto quanto.

"Mantenho a resposta anterior", o tesoureiro não pára de repetir. A resposta anterior é sempre "Não vou responder". Até quando Denise Frossard perguntou se ele conhecia as prisões brasileiras, "não as políticas", ele disse que preferia não responder.

As comissões de inquérito deveriam ser feitas só com ex-mulheres dos políticos envolvidos, seriam mais divertidas e reveladoras.






femme fatale brian de palma





Me contaram que, há um tempão, um conhecido crítico de cinema estava em Niterói quando olhou um letreiro onde estava passando Céu Amarelo. Acontece que a letra E tinha caído. Quando ele contou isso para os amigos foi uma festa total. Eles resolveram fazer um campeonato pra ver qual o melhor título se eliminada uma das letras. Era um pessoal barra pesada, tipo Sérgio Augusto. Depois de uma lista enorme, o título vencedor foi Tudo isso e o céu  também. Rarará.




Alegria é sedex. 






Harrison Ford A Amazon está fazendo dez anos, então rola uma promoção onde famosos fazem as entregas junto com o pessoal da UPS. Harrison Ford foi entregar a trilogia do Star Wars que uma senhora havia encomendado, George Constanza entregou todas as temporadas do Seinfeld, Jeff Bridges entregou um filme e Michael J. Fox entregou outro e assim por diante. Bacana demais.



17.07.05
As coisas aconteceram assim: S. foi com a Clarinha no Shopping da Gávea pra ela cortar o cabelo e caiu num sono profundo. Então ela viu suas olheiras e tal e dispensou ele da festinha familiar. Outra: adivinha o que eu fiz? Nada. Absolutamente nada. Quando eu cheguei na cozinha havia uma espécie de festa de Babette, vocês nem podem acreditar, tudo feito por ele. :) Então ficamos reunidos, foi bom, é sempre bom, pena que foi por um tempo curto, eu achei. Rosa já articulou minha cirurgia, o médico já operou sete mil vesículas. Sete mil. 

Parênteses rápido: Vocês já ouviram falar que o Marcos Valério pagou o botox da Dona Marisa, um troço assim? Bom, não lembro a história direito, então deixa. E também tem um lance Dona Marisa x Daslu mas a minha memória não registrou. Note bem que estou me esforçando ao máximo para fazer um post, tipo tirando leite de pedra mesmo. Ah, lembrei de uma coisa: neste instante está tendo um tiroteio dentro do túnel Dois Irmãos. Então é isso.





(via)




16.07.05
O carro da M.C. é entulhado de coisas. Mas não é assim como você está pensando não, é muito pior. São montanhas. Bom, pelo menos meus filhos aprenderam que não se joga nada pela janela. No outro dia ela limpou o carro e chegou em casa com dois sacões, e ele permanece igual. São roupas, papéis, tênis, mochilas, livros, apostilas, papéis de bala. Diz a lenda que no outro dia ela encontrou um sem-teto no banco de trás, por baixo de um monte de tralhas. "Ué, quem é você?" - perguntou. "Eu moro aqui há três meses". Rarará.


Esperando minha família pra festinha. Só S. chegou, com Clarinha, pós-Detran.

Ele olhou as aquarelas na parede. 

"Que lindas. Você comprou?"
"Não, são antigas. Estavam lá na nossa casa."
"Não, não estavam não..."
"Estavam sim."
"Então estavam na sala". 


Dãn.

Homens.





"Essa casa tem quatro cantos/ Em cada canto tem um anjo/ São Pedro, São Paulo, São Lucas e São Mateus/ No centro Jesus Cristo/ E todos os seus..."



Mudei a sala, trouxe umas coisas de Búzios - cadeira de balanço, mesinha, e agora eu sinto que minha. Puxando para o singelo. Minha melhor amiga disse que nada combina com nada, então acertei em cheio: sou eu mesma.

Coloquei quadros na parede, o cara que veio fazer isso me deixou à beira de um ataque de nervos, quase que eu disse "poderia me dar essa furadeira que eu mesma faço?". Não sei como alguém pode ser tão sem noção.

Dedé, Didi, Mussum e seu Fernando.





                        
Sábado, aleluia Coloco a cadeira de balanço na vila, porque, embora eu nem desconfiasse, está o maior sol. Leio os jornais, um escândalo a mais, um escândalo a menos. Depois vou lavar a pouca louça ouvindo o cd queimado que A. Chaves me deu, com músicas escolhidas do Rei. Canto junto, são todas bárbaras, tem até meu pequeno cachoeiro ( A minha escola, a minha rua. Os meus primeiros madrigais) - tá bom? Amada Amante, Como vai você, Proposta, Muito Romântico, De Tanto Amor, só aquelas coisas. E quem sugerir que os Titãs cantam é preciso saber viver melhor do que ele, está por fora.

Quem não gosta do Roberto Carlos nunca namorou.




                                                   1                 3


Felicidade é tão somente coincidir a vida com as idéias — Albert Camus


15.07.05



23:20 Largo tudo e vou ver tevê. Como desacostumei, vejo como tudo é muito, muito ruim. "Que? Abafa o caso. Vocês, hein, meninas? Que coisa", Luciana Gimenez. Não importa qual seja o assunto ela sempre fala a mesma frase. Mudo rápido, porque tudo é muito bizarro neste programa. Musiquinha do Globo Repórter, zap, tenho medo. Zap, zap, zap. Um pouco de Canal Brasil, onde estaciono.

                               Os diretores
                           
Polanski -  O bebê de Rosemary     

via



De ontem pra hoje Analista, Pão de Açúcar, Mundial ("olha o alho, olha o alho, desceu o preço, olha o alho"), eu quero que o alho se f. junto com o locutor, Omo lava mais branco, mas o Minerva é que está na promoção. Lojas Americanas, pintei o cabelo de marrom escuro, ingressos para Melinda e Melinda, vidraçaria, tristeza, seis empadas de palmito, uma atrás da outra, sebinho, contas na caixa de correio, Daslu-bem-feito, Seu Jorge na vitrola, autobiografia do Marlon Brando - título lindo, Canções que Minha Mãe me Ensinou, dívidas, word (cem por cento transpiração, zero inspiração), coca-cola de madrugada, saudade, centro da cidade, telefonemas burocráticos, papeladas, quem espera nunca alcança, interfone quebrado, emails atrasados, remédio no ouvido das gatas, vizinho aprendendo flauta doce, amiga de faculdade mancando, geladeira quebrada - 350 pratas -, Zé Wilker nem aí, pratinhos descartáveis, pilantragens no jornal, palavras que não existem no mini-aurélio, vale-Travessa, quindim com o coco ralado vencido, MC deu um passa-fora na mini-assaltante, sósia do sambista, Gustavo salva-pátria, todas as mulheres do mundo, tristeza, computador funcionando às vezes sim às vezes não, o dia inteiro som de capoeira na creche, gato estranho no meu telhado, tombo, coluna vertebral suplicando, chá verde, vesícula, louca para operar só pra sair do ar com a anestesia, loja de ferragens, preguiça, moleton meias e dois edredons, chove não chove, sandália que sai do pé.

Amanhã tem festa.


14.07.05
queria sumir, desaparecer ou evaporar.


Brasil em chamas O Lula está em Paris. Fico pensando, se a minha casa estivesse pegando fogo, eu deixaria as labaredas pra lá e viajaria para a Europa?




 Storyboards by Akira Kurosawa for I Fly, an unfilmed sequence from Dreams. (via)





13.07.05


O filho do Lula tornou-se sócio da Telemar, mas Lula diz que se não mete nos negócios do filho, como se fosse uma coisa particular, e não tivesse relação com o país. O presidente apareceu na primeira página meio mancando, mas disse que a dor tem a ver com o jogo do Corinthians, não com os escândalos novos de cada dia. Eu acho um pouco cínico ele dizer isso - e como o presidente pode se dar ao luxo de assistir futebol num momento desses?

Eu votei no Lula. Eu era uma daquelas pessoas que acreditava que o PT pudesse acabar com a impunidade. Eu acreditava no Genuíno, no Dirceu. Agora eu não acredito em mais ninguém. Apesar disso, gostaria que o Lula terminasse seu mandato que está quase no fim. Do contrário, acho que as coisas se tornariam ainda mais caóticas.

Ontem andei relendo João Cabral de Melo Neto, Morte e Vida Severina. Aquilo é o Brasil e, infelizmente, sempre será.






12.07.05                                                         set


John Huston & Montgomery Clift






Ouça na CBN todos os sucessos e fracassos do momento.

Ótimo anúncio.




Oompa Loompas Sexta-feira estréia nos Estados Unidos A Fantástica Fábrica de Chocolate, o filme-de-infância de um monte de gente. Johnny Depp será o senhor Willy Wonka, dirigido por Tim Burton. Depp e Burton, Burton e Depp - essa dupla não me é estranha. Eu nem, a última notícia que eu soube foi aquela que Aniston & Pitt iriam produzi-lo mas, vocês sabem, mixou.

Johnny está com a aparência que adora: esquisitão.




Observação atrasada Eu não vi o prêmio do Multishow. Eu confessaria todos os meus segredos se me trancassem num quarto e colocassem os cds Sandy e Jr. para tocar. Mas eu acho jeca vaiar o Jr. porque ele ganhou um prêmio. Dizem que ele toca bem, não sei. Ele poderia tocar melhor do que qualquer músico e mesmo assim seria mal recebido. Porque ele foi vaiado por ser brega, por não fazer parte da turma legal. Tipo de preconceito que a gente já deveria ter ultrapassado porque, bicho, isso é muito anos 70.




11.07.05
Ela

Eu: Não entendo... Você não confia no seu marido, por exemplo?
- Confio.
Eu: Mas não confia 100%? Não estou falando nesses lances de fidelidade...
- Não. Só uma criança confia cem por cento em alguém, no caso seus pais. Mesmo assim por falta de opção.

Entendi.




10.07.05
Whisky Eu gosto de filmes que não têm efeitos especiais.

Sábado Closer, Reencarnação e The Edukators.
O único bom é o último dos três. É bárbaro.




09.07.05
                                     
                                     


Se eu pudesse ficaria tardes e noites inteiras assistindo a CPI na GloboNews, porque parece Scotland Yard, parece aqueles jogos de tabuleiro. Ontem a secretária Karina foi severamente interrogada e eu só comentava com meu filho que bem que poderia rolar uma pitada de sexo, para o troço ficar mais emocionante ainda. Sei que é comentário ingênuo ou fútil, estando o país à beira do abismo. Mas seria bem divertido.

Eu gosto quando é a vez do deputado José Eduardo Cardozo, do PT/SP.



08.07.05
Chama o ladrão, chama o ladrão Ontem eu fui ao centro da cidade e assim que cheguei na Primeiro de Março vi um cara correndo, fugindo de um assalto que tinha acabado de cometer. Ele corria em S e pulava os obstáculos que haviam pela frente. Era um homem mulato, um pobre coitado, que roubou um celular. 

Dois policiais conseguiram pegá-lo e uma multidão ficou em volta, gritando: mata, bate, espanca, tem mais é que matar, dá uma surra, acaba com ele, chuta, lincha, mata, mata esse cara. Eu tb entrei na roda e vi o homem acuado, sentado no chão. E comecei a gritar tb, "Não bate nele! Não bate nele!". Fui mal recebida, um sujeito do meu lado falou "Se fosse seu celular eu queria ver". Um outro disse: "Se tivesse roubado o meu, de mil reais, eu mesmo fazia questão de matar".

Se fosse um assassino, um desses caras cruéis que andam por aí, eu ficaria na minha. Eu não gritaria mata, mas no fundo ia querer que ele morresse. Mas dava pra notar que era um cara, apenas um cara, e nem era jovem. Por que ele roubou aquele celular? Pra comer? Pra alimentar sua família? Pra comprar drogas? Não sei. 


Se fosse o meu telefone com certeza eu ficaria furiosa sim. Mas eu não gostaria que espancassem o ladrão. Eu gostaria que ele fosse levado à delegacia e fosse preso e ficasse na cadeia o tempo previsto pra quem pratica um crime que, se comparado com tantos que acontecem diariamente, não é dos mais terríveis.

É certo que existem pessoas que torcem pela desgraça alheia, mas acredito que, mesmo inconscientemente, aquela gente não estava querendo matar aquele homem. Me parece bem óbvio que ele era apenas a representação de uma coisa que ninguém suporta mais: nossa insegurança diária; o descaso do governo com a nossa nossa cidade.





Amiga é alguém que gosta de você mesmo que você seja magra.



06.07.05









O Rei está namorando a Luciana Vendramini.




Quarta-feira, 20:30 Lúcia veio lanchar aqui, é médica. Viu o resultado do meu exame, as pedras da minha vesícula. Sua vesícula está chumbada, disse. Palavras dela, médica. Toneladas de pedras. Uma verdadeira pedreira (sic). Chumbadíssima. Me deu telefone de quatro médicos. Urgente, ela disse. Operar, anestesia geral, hospital. Vídeo e umbigo. Cicatriz? Um pontinho imperceptível. O quanto antes. Chumbadíssima. Ela é médica, viu a chapa. Urgente, urgentíssimo.


Carente profissional.




Barbra Streisand & Elliot Gould, Bob Willoughby 1963






gip-gip nheco-nheco



05.07.05
00:45 Ainda dá tempo de ver a segunda parte da entrevista do Roberto Jefferson no Jô. O apresentador, super bem-humorado, e rindo muito, só faz perguntas a favor e sempre gentilmente colocando o deputado na frente do gol.

01:15 O Jô perguntou se muita gente que estava ali na CPI recebia mensalão, "sem citar nomes", o apresentador frisou mais de uma vez. Eu não sei nem o que dizer, sabe? No final o gordo pediu ao ex-gordo pra cantar Nervos de Aço e foi ovacionado pela platéia.

Nervos de aço precisamos nós.





Blábláblá Agora chove. Fiquei de sexta até segunda na praia, eu e minha prima, minha prima e eu. Nenhuma nuvem no céu e gaivotas boiando no mar. Como a gaivota pode ser tão diferente quando não está voando? Se transformam em patinhos. Lagostas em caixas de isopor torrando no sol, antes de serem comidas.

- Moço, o senhor gostaria de morrer dentro de uma panela de água fervendo?
- Elas existem pra isso, disse o garçom.
- Mas, moço, água fervendo, que morte horrivel!
- Elas não vão morrer assim, a gente dá uma facada.

Ah.

É por isso que não comi nenhum animalzinho e não como mais, de jeito nenhum. Não por causa da lagosta, entendeu? Por tudo.

Dormíamos super cedo, depois da novela das oito, que eu nunca tinha assistido. Minha prima ia explicando o perfil dos personagens e no sábado a Christiane Torloni ia se encontrar com o namorado da filha que na verdade é seu antigo amor e terminou assim e eu não sei qual foi a reação dos dois mas imagino. Ela deve ter dito "Desculpe, mas não estou me sentindo bem". Deu a entender que ela nunca está se sentindo bem. Trouxe um monte de coisas pro Rio mas esqueci o principal: minha mochila. Dãn!



Correspondência eletrônica

li o nelson rodrigues no blowg e me lembrei de uma frase dele que coloquei na parede da minha baia, quando trabalhei naquela revista: "O grande acontecimento do século foi a ascenção espantosa e fulminante do idiota." eu era um et, lá naquela redação. nosso amor durou dois meses intermináveis para mim. nos outros lugares também me sinto um pouco et, mas lá... pensei que dava pra levar no humor. não dá. 
sua jean seberg tá me olhando, à direita, fincada na frinchinha da moldura de um quadrinho que é uma foto do tom despenteado procurando isqueiro no bolso cigarro na boca na pista do aeroporto que hoje tem o seu nome, acho. 
rezei muito pro meu anjo da guarda e pro arcanjo miguel, e pra todos os seres de luz me ajudarem a conseguir um trabalho rapidamente. o livro chegou hoje. sabe o nome da autora que vou traduzir? angeles. já acendi uma vela pra todos, hoje. 
como disse à ana, meu diário não é mais triste que o do antonio maria: sou magra. hoje tive um help carinhosíssimo de um amigo querido, amanhã salvo o telefone. ontem seus presentes, o fernando dando aula de desenho pra nina e de um dia pro outro os olhinhos dela se acendendo de um jeito diferente, enfim, me comovo, essas coisas me amolecem. obrigada pelo afago dos marias, de novo. 
beijinhos, 
ledu






Uma técnica que eu nunca mais usarei na minha vida amorosa é a da adivinhação. Realmente certas mulheres (eu, p.e.), acham que algumas situações são tão óbvias que é impossível que o homem não leia seus pensamentos que, na maior parte das vezes, é de pura fúria.

Quando eu morava em Brasília eu era infeliz. Mesmo morando numa casa de sete quartos, sendo dois de hóspedes, horta, jardim e pomar. E uma piscina azul. É verdade que a piscina era cheia de escorpiões, mas, enfim, era uma piscina. Foi aí que eu descobri que, ao contrário do que se costuma dizer, ser infeliz num Rolls Royce ou dentro de um ônibus dá no mesmo.

Um ano depois mudei para uma quadra sinistra e passei a ser dona-de-casa, o que durou 6 meses. Meu (ex) marido um dia me perguntou: Você não sente falta de se divertir? Eu respondi: Imagina, eu adoooro passar roupa. Mesmo colocando dois ós a mais na palavra sabe o que ele entendeu? Que eu adorava passar roupa.

Por isso que eu acho que com um homem, seja ele um intelectual ou um pescador, não se pode ser sutil, nem irônica. Com homem a gente precisa so-le-trar.


                    

                             Set
                             O Poderoso chefão


Na crista da onda Tentei resistir mas é difícil. O texto sobre idiotas do Nelson Rodrigues é tão saboroso, tão atual, que resolvi colar aqui alguns pedaços. Filhote de jacaré, rs. Ninguém sabe escrever essas coisas como ele.



"Nas minhas notas de anteontem, escrevi que o idiota sempre se comportara como idiota. Era de uma modéstia exemplar, de uma humildade total. Não em nossa época. De repente, em nossa época, o idiota explode. Na minha infância, não passava do curso primário e já se dava muito por satisfeito. Nascia, crescia, namorava e morria sem jamais pensar por conta própria. Podiam pichar-lhe o túmulo com a seguinte inscrição:"Nunca pensou". O idiota era quase um santo.



O trágico da nossa época ou, melhor dizendo, do Brasil atual, é que o idiota mudou até fisicamente. Estuda, forma-se, lê, sabe. Põe os melhores ternos, as melhores gravatas, os sapatos mais impecáveis. Nas recepções do Itamaraty, as casacas vestem os idiotas. E mais: - eles têm as melhores mulheres e usam mais condecorações do que um arquiduque austríaco.



Não sei se entendem ou concordam comigo. Mas é o próprio óbvio. A olho nu, qualquer um percebe a ascensão social, econômica, cultural, política do idiota. Outro dia, passou por mim um automóvel das Mil e uma noites, sim, um desses Mercedes irreais, com cascata artificial e filhote de jacaré. Lá dentro ia um idiota flamejante".



(Trecho de Óbvio Ululante, crônicas de NR para O Globo, organizadas por Ruy Castro)





Anteontem falei dos idiotas. Sinto, porém, que disse muito pouco, quase nada. O assunto foi apenas insinuado, e repito: - o assunto está diante de nós como uma Sibéria imensa, à espera de que outros a invadam, e a ocupem, e a fertilizem. E quem não percebeu a invasão dos idiotas não entenderá, jamais, o Brasil dos nossos dias. (Nelson Rodrigues - O Globo, 1968)

A idiotice vem crescendo perigosamente no Brasil. (Chico Buarque - La Vanguardia, 2005)