31.03.10



Não que eu tenha queimado o bacalhau. Não. Coloquei as postas na grelha (18 reais, Zona Sul - vem pouco. Mas é do Porto.) e logo que ficaram douradas desliguei. Acontece que agorinha fui botar uma panela no fogo. Liguei sem querer uma boca que tem a chama fraquíssima, desisti e liguei outra. Só que, aí é que está, esqueci de desligar a que não ia usar. Onde estava a grelha. Quando vi o bacalhau estava crocantíssimo, mas sem recheio, entendeu? Não é mais bacalhau, mas uma coisa crocante demais e difícil de mastigar. Nhé.
Aprendi a fazer uma batata maravilhosa, num site português. Chama batatas ao murro - como eu gosto da língua portuguesa! Olha só: você pega umas batatas, lava bem, e coloca no forno em temperatura alta. Depois de assadas, pressione ligeiramente, com as mãos protegidas por um pano limpo, para que cada uma delas, semi-esmagadas, abram nas laterais.

Daí você doura uns alhos cortados em lâmina no azeite, e quando eles estiverem dourados, coloque as batatas e deixe refogar. Antes que o alho queime, retire as batatas e passe numa mistura de sal grosso moído e alecrim. Não sei como é sal grosso moído, mas usei Flor de Sal, que é o sal grosso iodado. Não entendo nada dessas coisas, mas acredito que tenha a ver, né? (Não tinha alecrim, claro, mas a sorte de ter um azeite de alecrim, daí catei alguns lá dentro, uma coisa bem amadora, mas ficou sensacional.)

#ficaadica



30.03.10

thank you * Merci * Danke * Grazie * Arigatô * Kamsa hamnida * Gracias * Termi kasih * Sukria *



"Viver é tirar pedras do lugar"

Nicolas Behr


27.03.10
Fui fazer batata assada e me queimei duas vezes. Na parte interna do braço dói. Ocupada cuidando da vida. Felicidades pra você.




Sonia Braga, por Antonio Guerreiro


Sempre alguém me pergunta "Como é mesmo aquela história do fernando Sabino?" É uma história ótima. E a da mulher e a jóias idem. Olha só:

(reprodução)

Duas histórias que eu adoro, as duas ouvi há muito tempo no Jô. A primeira foi contada por Fernando Sabino.

Ele ia fazer uma viagem de avião de manhã e sonhou com o um poema do Drummond, Morte no avião. Até aí tudo bem.Ele saiu e adivinha com quem ele deu de cara no centro da cidade? Drummond e Otto Lara Rezende. Ele contou do sonho e ambos pediram para ele não viajar. Era um aviso, ele não podia brincar com essas coisas. Daí ele pensou: Deus, se for para eu não fazer essa viagem me dê um sinal, um sinal qualquer. Nisso, passou um caminhão carregando uma enorme asa de avião totalmente retorcida. Os três ficaram bolados. Fernando Sabino viajou. Diante da surpresa do Jô ele alegou que se não viajasse ficaria escravo pra sempre desse tipo de superstição.

Você viajaria?A outra história foi assim. O Jô estava entrevistando um cara que tinha escrito um livro sobre trambiques. Ele contou várias histórias (verdadeiras) mas nada se comparou a história do gordo.

Uma mulher muito elegante foi procurar um famoso psicanalista. Desesperada, contou a ele que seu marido estava levando ela à loucura. Que ele não dizia coisa com coisa e acordava no meio da noite dizendo coisas sem nexo, tipo, "Cadê as jóias? Cadê as jóias??". Ele pediu que ela levasse o marido ao consultório. Ela saiu de lá e foi direto para uma joalheria maravilhosa que havia na esquina. E explicou ao vendedor:"Sou casada com o psicanalista tal e ele gostaria de me dar uma jóia mas não tem tempo de vir aqui escolher. Será que um dos seus funcionários poderia me acompanhar até o consultório dele com algumas ?" E foram os dois, com uma mala cheia de colares de diamantes e safiras. No consultório, a mulher pediu que o vendedor aguardasse um pouco, que ela ia mostrar ao marido e entrou na sala do psicanalista.

- Doutor, meu marido está na sala de espera.
- Ótimo, mande ele entrar.
Para evitar que o marido se sentisse constrangido, eles combinaram que ela sairia pela porta dos fundos. Entra o vendedor.
- Posso ajudá-lo? perguntou o psicanalista
E o homem:
- Quero as jóias! Cadê as jóias??
Acabou indo para o hospício de onde só conseguiu sair no dia seguinte.



26.03.10                                                         Paparazzi

Rita Lee


Os Escritores

Ao contrário do que se pensou a certa altura e até se espalhou, ele nunca bebeu. Tuberculoso na mocidade, viveu sempre com medo de uma recaída. Não bebia nem água mineral, só da bica - como fazia questão de dizer ao garçom. Não conseguia largar o cigarro, que naquela época não sofria ainda a campanha que veio a sofrer. Fumava Liberty ou Yolanda, dos chamados ovais. Fortíssimos. Os olhos denunciavam fadiga ou depressão. "Eu sou um triste", repetia, como um refrão. Morando na Zona Norte, Nelson adorava uma carona. Pedia carona com o maior descaramento, para casa, para qualquer lugar e até para São Paulo! Só teve automóvel no fim da vida. Com chofer. Não sabia dirigir e nunca tentou aprender. Detestava avião. Nunca quis viajar ao exterior. Tomava cafezinho com frequência, sem açúcar. Tinha mania de telefone a tal ponto que, se atendia um desconhecido (ou desconhecida) podia engrenar um papo de horas.

(Nelson Rodrigues por Otto Lara Rezende, trecho)





Tarefa difícil é escolher 5 músicas preferidas. Não as melhores de cada um, mas as que gosto mais. Então não vou pensar, vou colocar no instinto. E sem recorrer ao Google pra lembrar.

Eu te amoPerdoa-me por me traíres
- Bye bye Brasil
- A Rosa
- O meu amor
Retrato em branco e preto Vai passar Construção


- Qualquer coisa (minha predileta)
Vaca Profana Um índio Pecado original
Tropicália Alegria alegria
- Nine Out of Ten
- Trem das cores


- Que vá tudo para o inferno
- O show já terminou
- As flores do jardim da nossa casa
Olha De tanto amor Como é grande o meu amor por você
- Amada Amante

Talvez depois eu mude tudo.





Casas: Chico Buarque de Hollanda/ cobertura duplex no Leblon

                                 

 "É a primeira vez que moro sozinho".

Distraído, demorou quase um mês para mudar o recado da secretária eletrônica, que atendia ainda com o número antigo. Os compromissos, os shows, as horas no estúdio para acompanhar as gravações do cd ao vivo, viraram desagradáveis empecilhos que o mantinham longe da arrumação dos livros, que ele adora – uma vez ligou para o amigo Eric Nepomuceno perguntando do lado de quem ele queria ficar na estante-, da curtição de ficar no estúdio, escorregar para o terraço ou simplesmente curtir o novo lar. Quando ainda morava na casa da Gávea com a família tinha um estúdio colado na casa. “Lá era o meu canto. Agora, a casa toda aqui é o meu canto. Pela primeira vez estou curtindo coisas de casa, objetos, arrumação. Nunca me preocupei com isso antes”.

Com a desistência das esculturas, Chico comprou uma bela tela de Daniel Senise. Com orgulho, mostra a quem entra sua aquisição (“a primeira obra de arte que compro”), um quadro grande que ocupa a meia parede do lado esquerdo da porta de entrada. É um quadro sem título, que tem no centro a figura de um macaco, com estilhaços de madeira em toda a sua volta. Chico botou nome no quadro: macaco em loja de louça.

Na sala, livros de música, de arquitetura, de arte, livros sobre Vinícius, livros de fotos de Sebastião Salgado, livros sobre a obra de Oscar Niemeyer. No estúdio, além das estantes repletas de livros, fotos emolduradas na parede sobre o piano, ele com os amigos Vinícius e Tom, (...), ele com Bob Marley.

Chico cozinheiro Chico sabe fazer dois pratos que aprendeu na Itália. “Um é o pesto, só que o pesto hoje em dia ficou banalizado, todo mundo faz pesto. Quando eu fazia pesto era novidade. Era dificílimo arranjar manjericão nessa época. Eu ia para a Rocinha, as pessoas achavam que eu estava subindo para comprar cocaína, maconha. Mas lá tinha uma vendinha onde tinha majericão. Tinha que ser fresco. Eu agora tenho aqui em casa, plantado. O outro prato é uma variante do carbonara, e leva muita pimenta". Chico não é exigente para comida. Uma sopa em casa, que a empregada deixou pronta, um sanduíche.

(Chico Buarque, de Regina Zappa – trecho)




Não me ameace com amor, baby. Vamos ficar nessa, de caminhar sob a chuva. Billie Holliday




25.03.10
Itatiaia, 21 de outubro de 1933

Minha mãe, minha mãe, eu tenho medo.
Saudades.
Recebi tua carta tremidinha. Estava na piscina, nu, tomando banho, quando li a tua recomendação de não tomar banho frio. Fiquei sentidíssimo.
Estou são, de corpo e alma. Só gargarejei nos primeiros dias. Tudo indo bem. Passou resfriado, passou tudo. Só o cavanhaque é que cresce.
Agradeço a comparação com flor de lótus, fiquei muito sensibilizado... Peço permissão para te chamar de flor de abacateiro...posso?
Muitos beijos do
Vinicius.

(De Vinicius de Moraes para D. Lydia de Moraes. Querido Poeta - Correspondência de VM. Organização de Ruy Castro)



Aquela mulher
Singeleza


Charlô contou que quando Elis viajou pra Los Angeles gravar o definitivo Elis & Tom, foi hóspede da Wanderléa, que na época morava numa super casa. Tinha ido morar lá por conta de recursos médicos que pudessem ajudar seu marido Zé Renato, que sofreu um acidente ao mergulhar numa piscina. Apesar da casa ter muitos empregados, todos os dias Elis acordava bem cedo e, antes de ir para o estúdio, separava as roupinhas dos filhos e deixava a comidinha deles pronta.



& humor

Elis cozinhava bem e já era famosa. Quando algum amigo ia almoçar na casa dela e elogiava sua comida, ela respondia "você precisa me ver cantando" :)







Antonio Maria era gordíssimo e vivia à base da dieta rigorosa preparada por sua mulher. Quando a fome apertava ele dizia que ia dar um pulo na casa do Caymmi. Chegando lá, pegava tudo que tinha sobrado do jantar, esquentava com uma colher de manteiga na frigideira e mandava ver.




Grandes figuras da humanidade: Golias

Adorava jazz, conheceu Frank Sinatra, quando o cantor esteve no Brasil. Não sabia inglês mas cantava todas as músicas de Cole Porter.
Só usava sapatos novos. Depois jogava fora.
Só andava de táxi, apesar de saber dirigir. Teve um único carro na vida, um jeep.
Não falava palavrão e era moralista.
Tinha o mesmo círculo de amigos há quarenta anos.
Costumava dar gorjetas gordas, tipo 100 reais.
Só andava com notas novas, esticadas e dobradas. Moedas só as bem limpas.
Gostava do Fasano e outros restaurantes bons. Mas tb curtia restaurantes na beira da estrada.
Tinha mesmo todos aqueles tiques.
Comia com talher de sobremesa.
Era especialista em vinhos.
Na sua cobertura em Serra Negra só tinha uma roda de carro de boi na cozinha (servia como mesa), um tronco na sala (sofá) e um telefone. Não tinha cama.
No seu apartamento em SP só tinha uma cama de casal, um fogão e uma geladeira.
Gostava de café com água mineral. Forte e sem açúcar.
Costumava comprar 40 cartelas da Telesena e distribuir para garçons, motoristas de táxi e seguranças.
Financeiramente era bem de vida.
Não usava carteira, relógio, nem celular. Costumava levar suas coisas, cigarros e tudo mais numa sacolinha de supermercado.
Um vez sua mulher se apaixonou por um vestido numa vitrine. No dia seguinte ele deu à ela doze idênticos.
Teve seu primeiro emprego aos 27 anos. Antes morava em barracões.
Não gostava de boxe e chuveiro. Prefiria que a água saisse pelo cano.

Vou te dizer, eu adoro pessoas originais e é a coisa mais difícil de se encontrar. Bipolar, né? Doze vestidos iguais não têm erro. Golias era Rei e único. Sem cópias.

(Fonte revista Contigo)


Acorrentados Texto batido nos dias de hoje? Capaz. Exaustivamente copiado. Mas foi feito em 1969. E por ele, o melhor.



Mais Dolores Antes de ler Ela é carioca, espécie de enciclopédia de Ipanema, do Ruy Castro, achava que ela era uma mulher sozinha, triste, deprimida, e cheia de desilusões amorosas. Na verdade ela era brincalhona, bem humorada e vivia cercada de amigos. Todo dia de manhã fazia macarrão pra alimentar os que viam dos bares e aos sábados a feijoada era sagrada.

Tinha um namorado, Nonato, craque do futebol de praia do bairro, que a conheceu em 1957, aos dezenove anos, no Little Club e lhe pediu pra ela cantar "Castigo". Ela respondeu:"O show já terminou. Mas posso cantar no seu ouvido". Uau. Namorou o João Donato e o Billy Branco mas Nonato, oito anos mais novo, foi sua maior paixão. Ela fez A noite do meu bem pra ele.


Vivia no meio de intelectuais e gostava de discutir Camus.

"Dolores tinha um problema cardíaco congênito e tomava Isordil. Tomava também uísque e soníferos em quantidade. Na manhã de 24 de outubro de 1959, um sábado, voltando sozinha do Little Club, não houve o macarrão dos amigos. Ao ir para a cama, disse à empregada:'Não me acorde, quero dormir até morrer'. O destino fez-lhe a vontade. Tinha 29 anos".



Por causa de você Vinícius ia fazer a letra, mas quando ouviu a melodia, Dolores Duran pegou o lápis de sobrancelha na bolsa, e escreveu rapidamente num guardanapo a letra definitiva. A famosa cena do lápis de sobrancelha. Deixou junto um bilhete para Tom, "Outra letra é covardia".

(Tom Jobim narra o episódio no seu cd ao vivo em Minas Gerais. )




Mais Chico Quando a Veja era a Veja (leia-se Mino Carta), havia um departamento de checagem - que não existe mais - rigorosíssimo. Não deixavam passar nada, pente fino, tudo perfeito. Um dia, capa pronta, Chico Buarque, o editor percebe que devido a luz, equipamento fotográfico, um problema qualquer, os olhos do compositor tinham ficado diferentes, um verde, outro azul. Confusão na redação, ligam pro fotógrafo de madrugada, aquele stress. Para depois descobrirem que não havia erro nenhum. Chico tem um olho azul, outro verde.

Ai.


24.03.10
Muito amigos, Antonio Maria chamava Vinicius de Poesia.



                             
                             Nino Migliori


Vontade de fazer uma loucura, mas ainda não escolhi qual.



Emails, DMs, Google Talk: nada se compara a doçura da voz. Preciso estudar e terminar um texto até dia 7. Fiz bacalhau com arroz e brócolis (receita repetida). Cheguei ao consultório do médico fisio 9 e meia, e a consulta estava marcada quinze pras 11. Olhei na agenda e eu tinha anotado certo. Que legal, hein? Troquei os compromissos de lugar. Fui ao banco e tal. Quando cheguei em Botafogo para comprar material cirúrgico, percebi tinha esquecido minha agenda em cima da mesa do gerente. É cansativo ser eu.


23.03.10
Das coisas que me interessam Cartografia sentimental.




Laurinha teve alta hoje, às sete da noite. Passou a noite internada, e Alice miou muito estranhando sua ausência. Ficaria mais uma noite na clínica, mas seu grau de estresse é tremendo. Está furiosa porque está de roupinha. Quer dizer, não é roupinha, mas parece. É curativo grandão. 

Fomos no Shopping da Gávea atrás de remedinhos. Comprei caminha grande e confortável, laranja. Mas não lá. Comprei na loja onde eu tinha minha livraria e que virou Pet shop. Em casa, ela saiu da jaulinha e deitou inclinada na caminha. Não se enroscando como os gatos fazem. Desabou. Imagino que de cansaço e alívio. Curativos dia sim, dia não. Essas coisas todas. Obrigada pelos emails e comentários desejando sorte. Fofura vocês.


22.03.10
Você vive ou sobrevive? Eu sobrevivo.
    



17:46 levei laura para a clínica cedo, liguei agora pra saber como foi a operação e ela ainda não foi operada. então está esperando, sozinha, desde onze da manhã. vontade de chorar, mas já chorei muito hoje. olho bem pra ela e digo:"laura, tudo que eu estou fazendo com você é por amor; eu te amo." daí começo a chorar; ela me olhando fixo com o olhar superior dos felinos. logo que a médica chegou, por volta de 11 e meia, minha gata foi levada para um pré-operatório. mas até agora nada.

:(



Celebridades: João Guimarães Rosa

João Guimarães Rosa gabava-se de escrever de pé, em seu apartamento na rua Francisco Otaviano. Gostava muito de lápis, de cuja ponta cuidava com esmero. (...) Até que o "santo" baixava e se punha a escrever febrilmente.

Sua concepção de literatura era meio mediúnica. Tudo já foi escrito, dizia. O escritor era assim apenas um intermediário, escolhido para recolher o texto, quase psicografá-lo(...) Citava como exemplo "A terceira margem do rio", um conto que considerava de muita sorte. A própria inspiração veio-lhe de graça, Ele estava no Itamaraty, diretor do Serviço de Demarcação de Fronteiras, quando sentiu aproximar-se a aura. Ao ter certeza de que a história vinha com força, saiu, pegou o bonde na rua Larga e foi para a casa, no Posto Seis, em Copacabana.

Durante a viagem, o conto delineou-se e surgiu inteiro, irretocável. Rosa o conduzia com o maior cuidado, para que não fugisse, nem se evaporasse. Levava-o - a imagem é dele - com a cautela de uma criança que leva um balão colorido que pode arrebentar. Desceu e foi direto para à mesa de trabalho. "A terceira margem do rio"saiu num jato, praticamente sem precisar de revisão.

(Otto Lara Resende, janeiro de 1981)



Fast Google Rimbaud começou a escrever com quinze anos e parou definitivamente por volta dos 19. Certa época deixou os cabelos crescerem até os ombros e às vezes era apedrejado por causa disso. Gostava de absinto e haxixe. Se apaixonou por Verlaine e o romance durou até ele dar um tiro em Rimbaud, indo pro xadrez por dois anos. Rimbaud foi explorar a África e se tornou traficante de armas. Morreu precocemente aos 37 anos, de câncer nos ossos.


21.03.10




Os dez melhores programas para se fazer com dez reais, por Eike Batista

1. Tomar dois ou três sucos no BB Lanches, no Leblon.
2. Comer quatro pães de queijo feitos na hora no supemercado Zona Sul do Leblon com mais uma garrafinha de suco de melancia.
3. Ir à Pizzaria Guanabara e pedir um pedaço de pizza.
4. Comprar a revista Veja na banca do Jardim Botânico.
5. Ir à praia na Barra da Tijuca e gastar tudo em mate e biscoitos de polvilho Globo.
6. Correr na Lagoa e tomar três águas de coco.
7. Passear no Jardim Botânico.
8. Dar uma volta de bicicleta na Lagoa. Uma hora custa dez reais.

(Do livro As dez mais - 250 rankings que todo mundo deveria conhecer)



Sábado praia, chope e pizza.



20.03.10

Cenas do cotidiano

Papelaria. "Moço, o senhor tem caneta bic verde?". Me distraio com as cores, olho para o balcão e a caneta está em cima. "Eu já tinha perguntado isso?". Ele: "Já."

Tshiii.




Cenas do cotidiano

Bilheteria

- Por favor, três convites em nome de parará, oferecidos pela pararará
- Aqui é pra pagar estacionamento.

Rará.



Hoje é #DiaMundialSemCarne, e no twitter as pessoas ficam zombando, e fazendo piadas, a maioria sem graça. Fico muito impressionada. Comer ou não comer carne é problema de cada um. Mas os comedores de carne são agressivos. Já comi carne, hambúrgueres deliciosos, picanha, carne assada. Era vidrada em bife à milanesa. Hoje em dia eu não consigo conceber a ideia. "Acabei de comer um bife, mas em respeito aos vegetarianos ele estava acebolado!". Ahn? É pra rir? Um tal de Cardoso só tem assunto pra isso e diz coisas como "... tem o Turduken, um frango recheado dentro de um pato dentro de um peru mnham!". Que bobão.

Não comer carne é constrangedor. Não sou vegetariana, como já disse várias vezes - eu como bacalhau. Quando você vai a um jantar na casa de amigos, a anfitriã faz vários pratos gostosos, mas olha pra você e de repente lembra: "Hum, esqueci que você não come carne." Quer dizer, a inconveniente. "Quer que eu mande fritar uns ovos?" - aquela que dá trabalho. Quando na verdade você come os acompanhamentos muito feliz.

Tem uma história que fez com que a admiração que eu tinha pela Rita Lee virasse um climão. (Sei que todo mundo adora a Rita Lee. Uma vez eu estava sentada ao lado dela num flat. Ela estava de tailler, a trabalho. Fiquei olhando com o rabo dos olhos.) Ela é vegetariana pela mesma razão que eu: compaixão. Então, no Irritando Fernanda Young, a entrevistadora falou que quando vai jantar na casa de alguém e tem carne diz "Eu não como bicho." (Ela se tornou vegetariana por influência da Rita Lee.). Considero grosseria com os donos da casa. 


Fernanda disse também que a Linda McCartney era muito radical, Rita Lee concordou, e disse que gostaria de mandar uma cabeça de bode pra ela (caso ela estivesse viva, óbvio). Bola fora. São tão poucas pessoas que lutam por aquilo que você quer, que convém não atrapalhar. (Todo dia deveria ser #diamundialsemcarne.)

O André Trigueiro, que defende o meio ambiente há muitos anos, era muito patrulhado. "O André é legal, mas....". Considerado eco chato. Ele era um dos poucos jornalistas que se preocupavam com a questão do aquecimento global. A pessoa tem que ser radical mesmo. Resumindo: live and let live, com lembrou a Marcie. 

Boa tarde, Outono.

update Diante de um email super agressivo que recebi e do comentário da Ester, devo dizer que devo ter me expressado mal: não acho que quem come carne é agressivo. Se entenderam assim, me expressei muito mal. Quis dizer que as pessoas do twitter que comem carne foram agressivas e irônicas em relação aos vegetarianos. Não acho que os vegetarianos sejam maravilhosos, visto que Hitler também era. Estava só falando do Twitter, e de intolerância. E por último: não entendo porque carnívoros se sentem tão incomodados com vegetarianos. Cada um vive como quer. Ponto.






Sexta Beatles num céu de diamantes com meu irmão, e Bráz.


Que Deus te abençoe, meu amor.



19.03.10



Salve São José!



18.03.10




Domingo fui à festa, super climinha. Futebol no telão e muitas risadas no sofá. Olha o que aconteceu. Estava conversando com a dona da casa sobre uísques. Um grupinho. Ela puxou seu marido, que estava passando. (Conheço ele há uns 30 anos) . Perguntou se na Lidador do Shopping tinha uísque legal. Aposto que sim. Ele perguntou: O que você quer? Eu respondi: Comprar um uísque. Ele perguntou: Que uísque? Eu respondi: Uísque bom e 12 anos. Ele foi até o armário e trouxe um Logan. Abriu a caixa, a garrafa já tinha sido aberta, tipo uma dose. Perguntou se eu me importava. Me entregou a garrafa, fiquei tão constrangida. Foi horrível. Mas adorei, né? A família Lantimant tem diculdades de receber presentes. Ontem no bar, perguntei por um amigo em comum "Ele foi dar um tempo em Paris." Me diz se existe uma coisa mais deliciosamente blasé.



"se for preciso explicar, você nunca vai entender." Louis Armstrong



Hein, 2010. Anda logo, começa.



17.03.10
Eu não tenho um plano B.


Hoje vou tomar chope com F.Gurgel Lembrar de contar aqui sobre o lance do uísque (post). O Michel saiu, e foi-se a parte mais legal da casa. Meu voto passa a ser pro Dicésar. Por não existir outra opção. Faxineira, clínico geral. Fiz meu primeiro eletrocardiograma e o médico disse que meu coração estava ótimo. Não está cheio de marcas, machucadinhos e curativos? - perguntei. Mentira, não perguntei não. Ter perdido o visa eletron está acabando comigo. Lojas não aceitam cheques. [A bola da vez é o Bruno Mazzeo. Qualquer lugar que você olha, só dá Bruno Mazzeo.] Preciso fazer comida normal. Como vou alimentar os hóspedes? Já aprendi muita coisa, mas comidinhas do dia a dia ainda não fiz. É só bacalhau, risotos, estrogonofes, cremes, manteigas. Senhor. Amanhã vou fazer um feijãozinho. O 


16.03.10
♥miguel ♥

                                                                                                                          Uol


Estouro. Nunca sei se são fogos ou bala. Muitos compromissos desde a semana passada, mas o dentista desmarcou. Que felicidade .~.~ .~. ~ Aprender a ouvir e não deixar pensamentos cotidianos interferirem ---- me surpreendi quando percebi que é menos difícil do que eu pensava. (...). Compulsiva nos supermercados. Ouvindo BBB na janelinha minimizada. Eles viram Alice, do Tim Burton. "Aquele com o Johnny Diip." (Fer). Você sabia que o autor de um livro não pode escolher o modelo do diálogo? Exemplo, no Diário de uma Bipolar mandei o formato de diálogo que gosto mais. Assim:

"Hoje quero ver um filme."
"Que filme?"
"Aquele que..."

O (ótimo) revisor da Nova Fronteira mudou para:
- Hoje quero ver um filme.
- Que filme?
- Aquele que....

Perguntei se podia ficar no modelo aspas, ele disse que não. "Mas o Rubem Fonseca usa aspas". Ele: "Porque é o Rubem Fonseca." Tóim. Quer dizer, não é qualquer um que pode exterminar os travessões. Depois de dias melancólicos, estou bem outra vez. E o beijo da Luciana e o Miguel? Minha analista está doente há quatro sessões. Suco de marte, etecétera. Viciada em wii.



caramba, quanta coisa aconteceu, túnel de emoções. isso no Universo de marina w (Eu). Porque gosto de miudezas. Ganhei presentes, bebida, línguas de gato. Nem lembro de tudo. Da natureza, reparo até grama de rua.


15.03.10






Seres humanos, tentem segurar a onda de suas neuroses fazendo cabala, usando drogas pesadas, torrando dinheiro no shopping, ou com consultas psiquiátricas. Porque pelo amor de Deus.


13.03.10
Ruth Handler, criadora da Barbie, colocou o nome da filha na boneca. Ela também é mãe de Ken, que namora uma garota chamada Susie. Sério.



Recomendo: @naoehamor

O amor não deixa suas pernas bambas, nem sua mão úmida e fria. O nome disso é uísque "on-the-rocks". O amor é outra coisa.(via @realwbonner)
@naoehamor O amor não te deixa nas nuvens. O nome disso é avião. Amor é outra coisa.




Social Guilherme Guimarães é tão cafona. Peles de tigre, onça, raposa forrando sofás, cadeiras, poltronas de sua casa. Socorro.


O tal post Rosa me contou que era apaixonada pelo namorado e ele por ela, muito mesmo. Ela não gostava de dormir junto na casa dela. Um dia ele falou: "Posso dormir aqui? Se você falar não nunca mais vai me ver". Ela disse "Não". Nunca mais se viram. (22/12/2006)



Passei a semana triste - sinapses ou saudade? Mas pelo menos a faxineira veio nos dois dias combinados. Comprei flores cor-de-rosa na feira. Ontem foi um dia tão cheio de coisas, compromissos com hora marcada, um seguido do outro, mas dois deles deram bolo - minha analista está de cama, gripe, e fiquei fazendo hora na rua. Fazendo horas. O dentista me perguntou: Você está com estresse? Deveres de casa. Beatles na sexta. Chope hoje talvez. Chorosa; fazendo tudo no piloto automático.

Como é esse lance de zentai? As pessoas estão piradas, não bastasse o japonês se casar com seu travesseiro, levá-lo ao cinema e ao parque de diversões. Século 21, teu nome é solidão.

Encontrei um amigo da faculdade, na banca N.S. da Paz. A última vez que nos vimos foi num almoço, há quatro anos. Beijos, como vai, quanto tempo. Para minha alegria, ele também estava esperando: reunião de negócios dali a meia hora. Estava com a gravata jogada no ombro: acho charmoso. Tenho pena dos homens nessas horas - aquele calor voltou com tudo e eles usam ternos. Faltava uma hora e meia pro meu compromisso - tá boa? Conversamos um pouco no café Fígaro, no Fórum de Ipanema, onde por coincidência, fica minha dermatologista e a empresa onde ele trabalha.

"E a Angela?" Sua mulher. "Nos separamos." Nãoô. Detesto separações. Mas por que parará. O motivo era fútil, o amor não. Coisa que não consigo entender. "Mas que bobagem", falei. "você vai abrir mão desse amor? "Depois vem outro" - ele disse. Considero otimismo. Porque amor não vem ondas como o mar. Você acha que o orgulho é mais importante do que o amor? Perguntei uma pergunta tão repetida que me senti cansada. 


Ele olhou pra mim, pagou nossos cafés com espuma, consultou o relógio. Seu tempo tinha se esgotado. Sorriu com paciência. "Claro que sim." Beijos, me liga, pensa bem, maluco. Elevador que demora. Deixei minhas sacolas com a moça do Café, e fui até à Travessa, e depois Shampoo e Cia, e no Zona Sul ver as novidades.

Pão de queijo com recheio de catupiry, da marca Catupiry #morri.

Hoje fui à feira, mais por obrigação. Anteontem MC acordou com labirintite, precisa se alimentar melhor. Limpei a geladeira. Estou ligadona no livro Um assassino entre nós, Ruth Rendell. Já li, mas minha memória é estranha.

Então uma vez - eu era jovem - terminei um namoro por motivo fútil, e o cara que me amava tanto (Oi?) nunca mais quis saber de mim. História mega chata. Perguntei pra Deus e o mundo: O que é mais importante, o amor ou o orgulho? Tinha tanta certeza da resposta! Perguntei primeiro para C., que riu e respondeu: "Você está zoando?" Não entendi a resposta. O amor? "Hahaha. Claro que não." Continuei perguntando. A resposta era sempre a mesma. Eu boquiaberta. Por fim perguntei à outra amiga, F. que olhou bem pra mim e disse: "Você está falando sério? Jura?". Desisti. Apenas uma pessoa, um amigo (A.) disse que o amor era mais importante. "Sempre achei que fosse o orgulho", disse. "mas hoje em dia não acho mais." E eu achando que amor era a coisa mais importante do planeta. Oi, treze anos.

:P


A Folha hoje vem com seus espaços de ilustração e os quadrinhos vazios em homenagem ao Glauco. Bonito e triste. (@Mikalins )


12.03.10


Acordar com uma notícia assim? Não sei o que dizer, é muito triste mesmo. Difícil parar de chorar.





Glauco tocando sanfona em cerimônia do Santo Daime.










11.03.10
No restaurante, fila. No frio, a saudade. No sábado, chuva. No sítio, mosquitos. Na cama, migalhas. No sexo, silêncio. Do resto eu gosto. (@rosanacaiado)



Hora de escolher: elefantes ou marfim.


10.03.10
Coincidência Ele e uma paciente estavam conversando sobre alimentação, é tipo médico de família. Falavam sobre queijos. Ele disse que era viciado no queijo minas Sítio Solidão. Ela então contou que era a dona. Ele confessou que não gostava muito do queijo prato da mesma marca. Ela disse que também não.


L'aprés twitter

Pra você que pensa que já viu tudo no mundo. Não viu tudo não.

A lôra não para.

Não é verdade que eu seja fã do BBB. Mas, como profissional do ramo, tenho que ver tudo que passa na televisão - inclusive as porcarias. @aguinaldaosilva

@realwbonner Quarta-feira não é moleza não. Mas vamos lá. JN começa em 4 minutos.







08.03.10
Legal, Sandra Bullock ;)



                                                             Aniversário da Liza Minelli - LIFE


7 da noite @realwbonner O noticiário desta segunda-feira, no Brasil e no exterior, parece ter sido previsto pelos Maias. E eu não tô falando de Eça de Queirós.





                                                                        *suspiro*
                                       


Religuei o computador só porque Kathryn Bigelow ganhou o Oscar de melhor diretora. A quarta mulher a concorrer nessa categoria! Ela ser ex do James Cameron também dá um saborzinho extra. Brad Pitt e Angelina Jolie, Nicole Kidman, e Jack Nicholson, a raposa de ray-ban, foram ausências sentidas. Para quem fala mal de Meryl Streep apenas um recado: cresça e apareça. Gostei mais das zebras, tipo melhor roteiro para Preciosa. OK levantar para aplaudir Jeff Bridges já foi uma forçação, porém se compreende - é irresistível. Mas para Sandra Bullock também? Não saquei mesmo*. Aplaudir de pé é para Lauren Bacall. É a banalização do aplaudir de pé. Steve Martin e Alec baldwin: perfeitos. Gostei muito quando Alec Baldwin agradeceu à atriz de Rock 30 por tê-lo trazido de volta. Um pouco de humildade: artigo de luxo em Hollywood.








07.03.10
@Janefonda And where was Farrah Fawcett? She should have been included #oscars #FAIL




       Hoje tem Oscar 




                                                            



06.03.10                                                           Set
                                                    Sofia Coppola on the set of Somewhere / Daqui.


Vocês viram um casal sul-coreano que deixou a filha de 3 meses morrer de fome porque estava ocupado cuidando da filha virtual na web? Vida louca vidaá.


05.03.10


Sabe aquele dia que foge ao teu controle, você vai comprar pão na esquina e quando vê deu a volta ao mundo? Bom, não dei a volta ao mundo. Sagitarianismo. Mas fui cumprir minha programação, fisioterapia (blé), pegar resumo de frila, análise, sobrancelha, passar no Bradesco da Gávea para pagar contas. Aproveitando, comprar flores e creme de leite fresco. 

Mas encontrei Bia M., minha queridíssima. E fomos conversar, e comer doces com café. A conversa dela é Nietszche. Peço que me conte tudo. Mas hoje tivemos que resumir nosso início de 2010 em poucas palavras. Saí de lá com um curso de filosofia debaixo do braço, às terças de manhã. Depois encontrei A.V.B. que foi tingir a raiz dos cabelos. Conversinha rápida. Resolvi fazer uma horinha para não pegar trânsito. Esbarramos com Carla Pádua e amigas. (A Gávea é uma festa #fato) Me chamaram pra beber vinho chileno. Fiquei tontinha. Na hora de pagar, imagine, imagine, nada a ver, nada a ver. Disseram. Era convite. Fiquei chateada, aspas, na verdade feliz porque estou economizando tostões.

Um parênteses: o Pedro Bial teve alguns gatinhos na vida, todos recolhidos das ruas. Só pra constar. E se retratou. Então calma. Vamos nos preocupar com os outros, porque aquele está com a vida ganha.

Outras coisas aconteceram hoje, mas não lembro. Zé, retornei a ligação, mas chamou chamou. Amanhã é sábado, e começa muito cedo pra mim. Nem passei no twitter para um oi. Estou cantando para subir.

                                          Os diretores


                                          Apocalypse now
                                                             
04.03.10
Notícias de mim mesma O ano ainda não começou pra mim, porque em 2009 fiz tudo que listei, mas 2010 está lento, o que me deixa ansiosa. 

(elipse) 


Comprei 500 gramas de bacalhau demolhado, não sabia que tirando a espinha e a pele sobraria nada. Então mudei a receita. Está no forno, aos cuidados de São Lourenço. Cortei as batatas, que seriam redondas, em tiras finas, mas não finíssimas, e coloquei por cima. Resultou uma camada só. Enquanto cozinhava fantasiei algo que se tornou tão concreto, e eu teria que tomar uma decisão se a coisa acontecesse, e a fantasia era tão tangível que me deu um alívio tremendo quando percebi que se tratava de tosca especulação. Optar é sempre lenha. 

Domingo fui caminhar na Lagoa. Como eu gostaria de ser uma pessoa assim. Cheguei lá e alguns peixes ainda boiavam. Voltei. Pelo menos tentei, o que não é nada, não é nada, não é nada mesmo.

Meu olho direito dói, porque prolonguei o uso da lente. Anteontem até a luz do celular me cegava. Fico chorando só com o olho direito, o que me lembra vagamente um cartum do Leon Eliachar. Chopinhos demais em dias diferentes. Carta séria para escrever, capítulo para terminar, animais para divulgar. Faz frio no Rio. Delícia.

(Quando acordei tinha um passarinho pousado na tela da janela da sala.)


01.03.10




Passo um terço da consulta falando sobre Dourado. Pelo amor de Deus. Não que eu queira, mas tudo que esboço A. considera de extremo valor. Tanto esforço para chegar ao consultório, chove direto, os carros passam rente ao meio-fio, por prazer ou não, dando banhos nos pedestres.

(Pause)

Três meses sem ver Seinfeld, mas não tem como. Ligo para o fone fácil para resgatar um lance chamado Pé Quente, que fiz porque meu gerente implorou, e 4 mil na época não era muito, porque tinha acabado de vender um imóvel. Coisa que me arrependo demais, inclusive. Ok. Ligo e digo que quero resgatar a grana. O cara pergunta meu nome, cpf, e data de nascimento. E depois diz: "Houve uma divergência." Como assim? - pergunto. "Não podemos liberar o dinheiro porque houve uma divergência em relação aos dados que a senhora nos passou." Qual? "Não podemos dizer.". Quer dizer, é o médico de Elaine escrevendo difícil no prontuário. "Olha aqui, o senhor me perguntou meu nome, cpf e data de nascimento. Vou repetir (repito os dados completos). Poderia me informar onde está a divergência?". "Infelizmente não podemos informar por telefone". Sem comentários. 



Fui ao banco.


O gerente disse para eu esquecer o lance da divergência. Que o Fone Fácil é assim mesmo. Que já aconteceu com ele. E que vou perder dinheiro, resgatando antes do prazo previsto, dois anos. Quanto vou perder? Ele faz as contas. 17 reais para cada mil. Ahn? Quanto eu receberia de lucro? (Sempre uso a palavra lucro porque esqueço os termos certos). Nada. E qual a graça? pergunto. A graça está nos sorteios mensais. Microondas, automóveis, casa própria. Ah, Bradesco, Bradesco. Nem sei o que te dizer.



Resgatei a quantia exata que apliquei. Como se o dinheiro estivesse embaixo do colchão.


Oi, patrulha ideológica. #heloisabuarquefeelings





                              Tarantino