30.11.11
Comidas entram e saem da moda. Tomate seco, por exemplo. Onde eles estavam antes - Jerry perguntou ainda nos anos 90. Mas eu discordo tanto da Danuza Leão quando ela fala - sobre plantas que saem de moda - que a samambaia atualmente é "o que há de mais brega". Oi? Um dos motivos que faz com que ela seja um charme é justamente ter saído de cena. Minha estante de livros é de madeira e alta, e da última prateleira sem livros, do topo, uma enorme samambaia desmaiava, cobrindo alguns livros. Espetacular, viu. Pena que não sei cuidar de plantas. Ela ficou adoentada. Depois piorou muito, até restar duas folhas. Está na área, em recuperação. Sei que ela não vai se recuperar, mas não se joga planta fora. Comprei um cactus.




Apertei o térreo em vez daquele ambiente depressivo das garagens. Peguei Xerife no colo e coloquei na calçada da rua. Daí ele começou a gostar. Gostar muito mesmo. Maior céu lindo. Foi subindo rua acima, nós dois com a língua de fora. Incrível que ontem ele tremia tanto, e hoje abana o rabinho.

=P


Dobrando calça 36 na cintura. Preciso engordar, meu rosto está encovado. Queria engordar, não ligo pra pneuzinho, só não queria mesmo mais celulite. Porque ninguém merece, né? Mais ainda. Podia ganhar massa muscular, mas sempre arranjo um motivo para não ir à academia. Li no twitter: "Faltei na academia hoje. Com isso, já são 13 anos seguidos sem ir". Hahaha. Hoje cedo cortei o cabelo. Estou triste da dar dó. Possíveis motivos: o prejuízo que a Nova Fronteira causou na minha vida profissional. Totalmente esquematizada. Isso em primeiríssimo lugar. E também a ausência de frilas.



Ontem fui na Travessa para o lançamento da biografia do Ronaldo Bôscoli, escrita pelo Denilson Monteiro. Público vintage. Fila fenomenal. Pedi autógrafo ao Tremendão, ele não quis dar pois seria uma ofensa (sic) escrever na página dedicada à assinatura do autor. Como se ele já não estivesse acima das etiquetas. Por fim fez uma dedicatória na última folha do livro. O cara atrás de mim roubou um livro da bancada ao lado, acho, e sua mulher grávida fez paredinha. Paredão, como disse o André. Hahaha. Minha lente está embaçada e não sei se o cara lá na frente era o Ronaldo Bastos, CrisLis. Me fotografaram exatamente do jeito que eu curto :)



29.11.11
Dançar juntinho A primeira música que tive com alguém.



Meu tio era pintor, e minha tia também. Se conheceram na Escola de Belas Artes. A diferença está na sofisticação. Ele pintava principalmente marinhas. Marinhas são enjoativas. Trouxe pra casa duas paisagens muito lindas que se completam, árvores e rio. Oxum. Minha tia pintava bailarinas como as de Degas. De uma sensibilidade muito sofisticada e culta. Mas se achava medíocre e deixou pra lá. Disputamos os quadros dela. Acho que são seis no total. Ou oito.

Entre outras coisas, ganhei um lencinho bordado por ela, com minhas iniciais. Pra chorar no cinema, caso precise. Nunca mais irei ao cinema de rímel. Subi no ateliê que era do meu tio. Fiz limpa. Mini-limpa, porque é um mundo de telas, tintas, pincéis, cavaletes, molduras, e tudo que se pode imaginar. É uma tristeza ver tanta coisa que em pouco tempo irá se deteriorar. Trouxe uma caixa de lápis pastel. São ingleses, e deve ter uns 50 anos. Mais, muito mais. Talvez. Todas as cores, 4 separações. Está escrito:

Reeves Artists pastels. Set no. AP 72. A selection from the finest quality Artists Pastels. An extensive range is available, of delicate and full tones, covering the entire palette. Reeves & Sons.

Charme. Também trouxe uma caixa de aquarela, num estojo preto. E muitos papéis próprios para desenhos. Agora lembrei do ABrito, deveria ter trazido coisas e coisas pra ele. Fico também um pouco sem graça, porque minha prima tem ambições de vender. Já vendeu alguns cavaletes e estojos. Mas é um mundo.





Ciça, a diarista. Sol e nuvem. Desci com Xerife, uma criança se aproximou, fez carinhos, depois gritou para as outras: "Ele é fedorento!". E todas começaram a gritar: "É fedorento! É fedorento!"

O primeiro búlin a gente nunca esquece.





Toureiro espanhol famoso perde olho com chifrada e diz: “não quero que sintam pena.” Nem precisa pedir, não sinto mesmo. (@celsodossi) 




27.11.11               

                             Set
Marlon Brando se prepara para viver Don Corleone. Coppola atrás. 
Foto de Steve Schapiro.



Almoço no Horto, amanhã Grajaú. Peguei caixa no supermercado para me livrar de tudo que sobra. Todo mundo lembra. Em 2008, o americano Dave Bruno resolveu fazer um site chamado 100 thing challenge . Foi um acontecimento. Dave se propôs a ter apenas cem objetos. (Obs: *Se todo mundo consumisse como os norte-americanos, seriam necessárias mais de quatro Terras para suprir a demanda). Até 2009, Dave tinha 94 coisas.

O site bombou e pessoas no mundo inteiro aceitaram o desafio. Eu mesma me livrei de coisas que não usava nunca. Fiquei com pena de me livrar de sandálias que comprei numa crise de euforia, em lojas que nunca entraria se estivesse no meu estado normal. Nunca tive muita roupa. Mas mesmo assim, depois daquela tragédia na serra, resolvi deixar apenas uma dúzia. Amanhã vou fazer uma segunda limpa. Há uma semana separei os livros que nunca vou reler, que li e não significou nada pra mim, e os que nunca abri. Os que permaneceram na estante vou considerar um objeto só. Caneta e lápis também.

(Precisei cortar o resto do post)



26.11.11
Sábado Minha escrivaninha está tão confusa, tanta papelada, canetas, cadernos: só sei trabalhar na bagunça. O cachorro abana o rabo, talvez o leve levei para passear. Aniversários. Domingo e segunda: comemorações em família. Vou aproveitar esse sábado maravilhoso (só que ao contrário), para arrumar a casa inteira, colocar umas roupas na máquina de lavar, e ligar na rádio MPB. Não sei onde coloquei minha lixa, a caixinha com esmaltes.

00:40 terminei o trabalho, coloquei roupas na corda, assisti vocês-sabem-o-quê no computador, fiz um tumblr de cinema.





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O céu de Suely 



25.11.11
Antonio,

não liguei conforme combinamos porque perdi a noção da hora. Só quando estava no táxi de volta pra casa soube que faltavam 25 minutos para meia-noite, e fiquei muito feliz por não ser madrugada alta. Passei constrangimento porque perdi meu dinheiro. O filme fez muito sucesso, o artista plástico falou que você é muito bacana, sensível e talentoso. Rei concordou e teceu mais elogios. Confesso que fiquei um pouco orgulhosa, como se estivesse te representando ali. Mulheres.

Fomos à Lapa, foi horrível, Rei caminhando como se fosse Benhur com aquela capa. Não dava para acompanhar os passos. Seu humor estava regular, digamos. Não tinha ninguém sinistro. Que bom que estou em casa. Parabéns por tantos elogios,

um beijo,
Rosário

.....
meia-noite e um.


24.11.11
Só pra dizer que vim Sábado vou trabalhar - thanks God. Esqueci de comprar a baguete. Xerife só gosta de passear na garagem do prédio. Recebi uma carta em envelope verde e amarelo. A mulher de decote profundo fez aulas de ioga em Nova York, numa sala com temperatura de 42 graus. Tipo sauna. (...) Bebo coca-cola latinha de três goles, com garytos. Mudo tudo de lugar. Minha prima me liga para saber qual a melhor queijeira. Desmarco o dentista por sms. O feirante mentiu em relação às rosas. Compromissos familiares: gosto. Dancin' days no Viva: adoro. Descurto sair amanhã. Por hoje, Curb inédito e dormir. Nada mais a declarar. Minha vida não tem mistério nenhum. Beijo, bye.
.....


"Esse pessoal que ainda divide o mundo entre os do 'mal' e os do 'bem' parou no tempo dos contos de fada. Vão ler Freud..." (via @frednavarro / twitter)


23.11.11




A pele que habito Adorei esse filme. Post só pra quem viu. Não é spoiler (e o filme tem um mega spoiler, fuja), mas se você não viu e achar melhor, pula o post.

Tem uma hora que a Vera fala assim: "Zeca, o que vc está fazendo aqui?" Zeca, o tigre. Ele pensou que ela era outra pessoa, ok, mas e ela? Como sabia quem era ele? Boiei.


22.11.11
Ótima notícia pra quem mora no baixo Jardim Botânico. Do lado do Le Pain vão abrir uma livraria chamada Opinião pública, nome que considero genial. Outro assunto: liguei para o jurídico da Nova Fronteira. Quero fazer uma rescisão de contrato (que vence em 2013), o coordenador foi gentil e me falou dos procedimentos. Demoradíssimos. 

O último deles (acho) é tentar fazer o autor continuar com o contrato etc. Não quero. Também não sabia que existe meu livro online. Não pra baixar, mas pra comprar. Não tinha ideia disso, nem sei quanto custa. Já gastei uma nota comprando exemplares em sebinhos virtuais. Agora tenho cinco. Vou devolver os que peguei dos meus filhos. Queria tirar o dia para escrever, mas tenho tanta coisa pra fazer. De noitinha tenho ioga, salvação do meu corpo.

O dia mais quente do ano.



20.11.11
Não quero nada além de mansidão.




(...) Chá de hortelã com folhinha. Lillian Hellman. O cachorro chora. Agora se chama Xerife, mas ainda não sabe. Levei pra passear às dez da noite, mas ele só gosta da parte do elevador. (...) O homem do sinteco foi embora deixando camadas de poeira ocre. A. vai me ensinar a ser otimista. Também queria ser calma, e paciente. Anota, brasinha.


19.11.11
Carvãozinho.


17.11.11
Você sabe com quem está falando? Isto sim é uma carteirada.

(vídeo: @revistabula)




Indiana era o nome do cachorro que o George Lucas tinha quando era pequeno.



16.11.11

Benetton causando dejaví.

.....
Máquina do sinteco deixa Xerife enlouquecido. O homem não bate bem. Agora está cantando com voz de ópera. Ele não sabe informar coisas básicas, apesar de estar na empresa há 40 anos. Exemplo: temos que sair de casa durante dois dias, ele diz. Difícil virar zen. Ligo pro dono: basta ficar três horas sem pisar na sala. Mimimi do dia: não poder ir à cozinha, atender porta e interfone quinta e sábado, durante três horas. Manejando horários adequados. Mimimi pra inglês ver, porque nem me importo. Estou em outra, baby.


14.11.11



Há tempos tenho vindo aqui pela saudade de escrever, mas não sei o que dizer. Vida privê. Gosto de contar as coisas que acontecem comigo ou que eu vejo. Também gosto dos entreouvidos e dos sonhos. De contar corrida de táxi. Os taxistas cairam no meu conceito quando um deles me disse: É tudo mentira. Cascatas. Bom, mas sempre existem uns personagens. Às vezes não tenho vontade de conversar, e pego alguma coisa pra ler. Apesar da tensão Elaine X motorista surdo. Não consigo me concentrar em nenhum dos quatro livros que estão na cabeceira. 

Faz tempo que perdi a concentração, mas deu pra ler um ou outro mês passado. Ou um só, não lembro. E nem é twitter pq também meio que já deu. Nem deixo a janela aberta, vou lá, fico cinco minutos. Horas mais tarde vou de novo, ou nem vou. Ontem quando nos tocamos que no dia seguinte era domingo, falamos ao mesmo tempo:

Ele:Que bom que amanhã é domingo!
Eu: Poxa, amanhã já é domingo!

Feijão delivery para o almoço. O traficante foi preso em cinco minutos. Quem engole esse show do Governo Sérgio Cabral? Neblina seguida por chuva fina. (Diário de papel: coincidência de datas. Tensa com a reação. Fiz tudo errado. Devo dizer que sou Larry David de saias.)

Só depois Freud me explicou, numa única frase. 

Seria bom realizar sonhos. Quase sei do meu poder.)




13.11.11
Artes plásticas A mulher fazia interferências no sono do homem.


11.11.11

"Elegância é uma qualidade que possuem certos pensamentos e certos animais." Diana Vreeland


10.11.11

Bem-vindo ao mundo, Chicão.



Chico canta rap para Criolo. Via revista TPM, no twitter, mas já tinha visto há tempos. Enfim. Tempos na internet quer dizer dias. Criolo homenageia Chico, Chico homenageia Criolo. Em tempos de mpb caída, não deixa de ser digno de um obrigado. (Além do que o rapaz-sensação é sexy)

Cálice (Criolo)

Como ir pro trabalho sem levar um tiro
Voltar pra casa sem levar um tiro
Se as três da matina tem alguém que frita
E é capaz de tudo pra manter sua brisa

Os saraus tiveram que invadir os botecos
Pois biblioteca não era lugar de poesia
Biblioteca tinha que ter silêncio,
E uma gente que se acha assim muito sabida.

Há preconceito com o nordestino
Há preconceito com o homem negro
Há preconceito com o analfabeto
Mas não há preconceito se um dos três for rico, pai.

A ditadura segue meu amigo Milton
A repressão segue meu amigo Chico
Me chamam Criolo e o meu berço é o rap
Mas não existe fronteira pra minha poesia, pai.

Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai
Pois na quebrada escorre sangue,pai.

Pai
Afasta de mim a biqueira, pai
Afasta de mim as biate, pai
Afasta de mim a coqueine, pai.
Pois na quebrada escorre sangue.



08.11.11
                             Set
Chinatown


Vi na cabeceira do meu filho, pensei que fosse o meu. Mas não. Estamos lendo o mesmo livro: Pergunte ao pó. Coincidência. O meu comprei na Estante Virtual e veio novo como de loja.

07.11.11
Luxo Li no Globo que o Chico resolveu escrever Leite derramado depois de ouvir a (maravilhosa) Monica Salmaso cantando Velho Francisco.


06.11.11
Dezenas e dezenas de estrelinhas metalizadas de cores e tamanhos variados em cima da escrivaninha, do teclado, dos cadernos. Dona Doida.





Oh wow. Oh wow. Oh wow.

Últimas palavras de Steve Jobs antes de morrer, segundo sua irmã Mona Simpson. (Revista Época)
Morfina ou êxtase?



Fim de semana Muita farra e pouco siso.


03.11.11
Rip vip Valódia, a.k.a Vladimir Pinheiro Larin, foi um dos caras mais charmosos que conheci. Curtiu a vida. Buscava Vera, sua namorada, de helicóptero para irem à Angra, e a primeira vez que moraram juntos, foi numa casinha no meio do mato, colada ao (restaurante) Zeppelin, na Avenida Niemeyer. Da janela do restaurante, o cozinheiro passava peixes feitos na hora. Outra época de sua vida, foi com um amigo barbarizar em Salvador. Alugaram um jatinho, torraram dinheiro, e pra voltar entraram na fila da rodoviária. Já que a morte é inevitável, Valódia morreu da maneira mais bacana possível, sem dor, angústia ou medo. Estava jogando golfe no Golden Green, na Barra, e depois foi almoçar com os amigos. Estava se divertindo. Durante o almoço, tombou a cabeça pro lado.


02.11.11
Feriado Tenho um cachorro que quando a gente mostra a coleira e animadamente chama pra passear ("Passear! Oba! Rua!"), se esconde no cantinho do medo. Sol delicioso, mangueira de jardim, grama.



                                          Ruth de Souza





Arrested Development. Depois fiquei lendo. Escrevendo. Pensando. Daí levantei pra comprar todos os meus Diários na estante virtual. Seis. Cat Moss avançou no cachorrinho, foi uma briga feíssima e demorada, onde só ela atacou. O cãozinho (na rua, quando alguém perguntar o nome dele, direi Xerife. MC também) ficou traumatizado e foi pro cantinho do medo, entre a cama do F. e a cômoda, um espaço onde seu corpo fica rente. Ele também se esconde ali quando ouve o barulho do aspirador. Passou o dia deprimido. O passeio no play mostrou-se um fiasco. O veterinário falou que precisamos levá-lo à rua aos poucos, dez minutos hoje, vinte amanhã.

Agora sou uma mulher silenciosa.


01.11.11
Hoje não comi nada, não sinto fome. Só vontade de chorar. Fico pensando em como minha vida é agradável, listo mentalmente todos os meus privilégios. Nada posso fazer quanto ao imponderável. Fico dando linha pra euforia e depois desabo. Depois da ioga fui tomar uma sopa de batata baroa e alho poró, mas só dei uma colherada, e pedi para embrulhar. Não consigo comer nada. É só o que tenho a te dizer, delícia das delícias.


.....

"Que deselegante!"
 .....