31.03.11





Não aguento mais Berlim virtual, escrevo muito mal fora do blog, e uso palavras como descolados. Lojas para descolados. Só sei ser livre. Meu mês começa semana que vem, esticaram meu prazo, mil vezes obrigada montanhas, lua, florestas: todos deuses em volta de mim. Quando olho as nuvens roxas, que cobrem o Cristo Redentor, as nuvens que dançam cobrindo as montanhas, penso que nunca mais poderei me separar desta paisagem. Os livros acumulam poeira, a samambaia é esnobe, tenho estojo de lápis de cor - mas ainda? Ouço Bach no Youtube. Acumulo emails, compromissos e raivas. Lavo a louça, aspiro o pó. Abro a caixa do futuro:





A Terra é uma batata. Boa noite.


a batata tá assando! (@ligiacaputo)






~Não quero ficar dando adeus / As coisas passando eu quero / É passar com elas / Eu quero ~




Anna Karenina originalmente se chamava Dois casais e depois Dois Casamentos, até Tolstói resolver manter o foco na protagonista, que primeiro se chamou Tatiana, e depois Anastácia. O autor inicialmente não gostava da personagem, que considerava "tediosa e banal", e a quem se referia como "o Diabo". "Ela não é nada", costumava dizer. "Estou cheio da minha Anna, cheio e cansado". Mas da mulher sem atrativos e difícil ("Ela não é atraente, tem uma testa estreita e pequena e um nariz curto e arrebitado - um tanto largo. Se fosse um pouquinho maior ela seria deformada..."), ela foi aos poucos transformada em uma bela mulher, decidida e apaixonada. A história nasceu quando a mulher de Tolstói contou que teve sentimentos "profundos e terríveis" quando viu o corpo estraçalhado de uma jovem que se jogou na frente de um trem. Era Anna, amante de um amigo do casal. E foi sua morte horrível que incendiou a imaginação do escritor. (Após Madame Bovary, c'est moi!, de André Bernard)


27.03.11



Meu método de trabalho Trabalho gigante para entregar no final do mês. Parte já foi, mas falta muito. Sou desconcentrada e perfeccionista. Me conheço e vejo o futuro: vinte e quatro horas sem dormir para acabar no prazo. No dia seguinte também. Escrevo sobre um museu, depois continuo em outro papel, depois em outro. Exemplo. Daí pego os três e resumo numa folha só. E recomeço, os mesmos museus espalhados, cada um com um texto semi pronto. Passo a limpo, risco tudo, passo a limpo. Procuro saber mais detalhes no Google, leio o guia que comprei sobre a Europa. Começo a reescrever. Rasgo. Pesquiso, rabisco, passo a limpo, sublinho.

Ligo a televisão: concorrentes ao prêmio de melhor cantor do ano: Fiuk e Luan Santana. O Brasil está mergulhado na mediocridade. Vou no twitter tentar conseguir um sinônimo para descolado.

Volto aos papéis, escrevo, em outra folha (na verdade todos os papéis são fichas recicladas) anoto: sabão em pó, batata palha extra fina, queijo sítio solidão, queijo prato, amaciante, coca-cola. Volto para os museus, confiro as grafias, faço setas com caneta vermelha, enumero.

Marina, Marina.


Anotação à margem do caderno Se pelo menos alguém mentisse tão bem quanto você.


26.03.11
Gabriel Braga Nunes = Jude Law.



Roseira O rapaz foi pegar o violão. O rapaz tocou delicadíssimas músicas espanholas. Depois Bach. E os primeiros acordes da música do Dorival. O rapaz queria que eu trouxesse o violão para que ficasse um pouco na minha casa. Pelo celular mandou foto do dia que acabava de nascer.




Sexta Passei a tarde na casa do Jards Macalé. 





22.03.11
minha gata bocejou, eu bocejei também. Agora bocejei de novo porque escrevi a palavra bocejei, e agora de novo



Casa da Gisele Bündchen e Tom Brady. 
Uma casa desse tamanho para três pessoas
acho cafona.



20.03.11
Transmissão de pensamento e infância No mundo de marina w. uma das coisas mais legais é a transmissão de pensamento. É fácil e bastante comum em casamentos longos, fora isso, é preciso uma grande concentração. Enorme. Certa vez, queria muito que meu futuro namorado, futuro marido, e depois ex-marido, ligasse pra mim. A coisa que eu mais queria no planeta era ouvir sua voz. 

Eram duas da manhã, o que tornava tudo mais difícil. Ele também não tinha nenhum motivo para me telefonar, mas eu me concentrei. Me concentrei muito, até que para minha enorme surpresa e alegria, o telefone tocou. Era ele. Estava em uma festa. "Não sei porque estou ligando pra você", disse. Incrível. Acho que para acontecer um lance desses as pessoas precisam estar muito bem conectadas.

Captar o pensamento alheio também é sucesso garantido no meu mundo paralelo, e a experiência mais marcante que tive foi quando tinha uns doze anos, e estava com meu padrasto numa pracinha do Alto da Boa Vista, aguardando minha mãe terminar de dar aula no Sacré Coeur. Para passar o tempo, começamos a fazer aquela brincadeira de escolher uma profissão para o outro fazer perguntas e tentar descobrir. Pensei numa bem difícil, e imediatamente ele disse: "Revendedora dos produtos Avon". Uau, hein? Ficamos pasmos.


19.03.11
Thomas Doerflein & Knut. O que se pode nomear: Amor.




Histórias tão boas, "Vou colocar no blog", eu dizia toda hora. Mas esqueci todas.




Oe, estou viva?

T. Platão, na cachaça, D. Colker, cineastas, produtores, e bêbados. Duzentos mil chopes: conheci o baixo JB. 
Descobri o Seu Alberto.


(O último trem para Berlim / as chamadas críticas construtivas, rsrs / ó insensato coração / bolinho de bacalhau feito por uma portuguesa/ Quando Darcy Ribeiro fez 70 anos deu uma festa para 70 mulheres)

Lígia morou com Vinicius em Paris, Márcia viaja na segunda para aprender a fazer pizzas na Itália. Eu trabalho feito um camelo.

:D


16.03.11


1

É real, o Mar ia. E vinha.
Com seu vento ondulando heteronômios.
Tudo ria. Tudo mesmo.
Ad ria na.

2

É real, o Mar ia. E vinha.
O vento ondulando dáblios e marinas.
Tudo ria. Tudo mesmo.
Ad ria na.

AR
Salvador
10/03/10







O que se comenta Sean Penn e Scarlett Johansson terminaram.








(Latim, amore)




Teatro Leblon: "Tudo que eu queria te dizer". Incrível como a Ana Beatriz Nogueira valoriza um texto. Uma atriz espetacular. Nunca está nas estréias, camarotes de Carnaval, ninguém sabe da sua vida amorosa: artistas assim ganham muitos pontos na tabela MW. Achei a peça curta. Sanduiche de queijo minas e tomate + café com leite.

Há dois dias não vou à academia, sinto falta, não saudade, mas falta, acontece que o tempo está reduzidíssimo para tudo que tenho que fazer. Estou trabalhando num site de turismo, e preciso fazer textos sobre lugares que não conheço. Pra isso comprei livros grossos, revistas, e guias de viagem. A viajante solitária. Viagens ao redor do meu quarto. No momento estou em Orlando, the horror, the horror. Queria poder escrever direto, sem tantas interrupções diárias. O tempo é tão pequeno. Curtindo muito viver. São duas e meia da manhã de quarta-feira. Vou acordar cedíssimo. Estou sonolenta, embromando, alienadíssima. Obama? Estou muito por fora. Tenham todos um bom dia.












15.03.11














14.03.11
Um dia eu te conto sobre a rampa, as flores amarelas em cachos, o medo que eu tinha do posto de gasolina pegar fogo e destruir meu sonho.














12.03.11

Sábado de tarde Sorte das árvores. Escrevo rodeada de papéis, pilhas e pilhas de papéis que guardo para o usar o verso em branco. Não sou uma pessoa organizada (bolas amassadas em volta da escrivaninha), e tenho dificuldade de escrever usando uma linguagem, ainda que ligeiramente, menos informal do que a do blog. Quatro textos, e não saio do primeiro, sou a perfeccionista que se enrola e enlouquece. Imagino uma ampulheta gigante, a areia é o prazo de entrega escorrendo. Nos intervalos escrevo posts sem sentido, e ouço Love me tender, uma cortesia da @Mikalins.

Acordei às seis, olhei o celular, e dormi até meio-dia por puro lazer. Nunca levantei esta hora na casa onde moro, mas já cheguei às seis algumas vezes. Vou direto para a janela assistir o que considero o maior brinde da natureza, seguido por brisa. São as revoadas de andorinhas que passam em grupos, e as dúzias. De noite tem reuniãozinha de aniversário. Me jogo. 








Stevie W.



09.03.11
Cozinhar pra mim é sempre uma aventura. Hoje por exemplo, o caldo feito de shoyo e cebolas derramou inteiro no meu vestido, recém-tirado da corda. E vem aí, as mais incríveis trapalhadas e muitas confusões na cozinha mais maluca do planeta. Não perca.


08.03.11
Ontem aconteceu uma coisa assim: fui descer a minha rua para encontrar uns amigos. A bolsa era menor do que o conteúdo dentro dela. Abri pra ver se estava com o celular. Meu estojo de base caiu, rolando pra fora da calçada. E o pincel... caiu dentro do bueiro. Tá legal? 




07.03.11


Segunda de Carnaval Michel Melamed e Bruna Linzmeyer, de cabelo curtíssimo, dividinho o mesmo canudinho de milk shake, no Coelho.


06.03.11
Cada vez que vejo uma fantasia de Carnaval fico mal. Penso em quantos faisões, pavões, e outras aves/pássaros sofrem por causa desse desfile idiota. Em 2010, a Unidos do Ipiranga, de São Paulo, fez um desfile com samba enredo sobre ecologia [ganhou o estandarte de ouro], com fantasias completamente animal cruelty free. Nenhuma pena, pelo, ou couro foi usado. Os Bois bumbás, de Parintins, também alegou que todas as penas eram sintéticas. Conclusão: se tudo pode for sintético, deveriam proibir essa crueldade. O motorista de táxi quis me consolar: Fica tranquila, são aves criadas em cativeiro, só com esse objetivo.

Ah, bom.



05.03.11




Carnaval Mesmo tendo que trabalhar o Carnaval inteiro, pra dar conta do prazo, fico feliz por ser feriadão. E com chuvinha fina, ou seja, não preciso ter que optar ir à praia ou não. Nos intervalinhos: twitter (porque, né); filminhos e O labirinto grego, do Vázquez Montalban - finalmente um livro que me segurou de cara. Porque minha concentração anda qualquer nota. Tenho dezenas e dezenas de livros ansiosos à minha espera. Dona de casa em greve, beijo-me-liga.


Diário de uma bipolar Ontem me surpreendi ao saber que um senhor encomendou meu livro na Travessa, e conseguiu comprá-lo. Ele já tinha lido emprestado da minha prima, e queria ter um só pra ele. Achei legal também ele ter gostado apesar de não ter transtorno bipolar. 









Como demora a passar: teu feitiço. Então vivo de artifícios, criando pouco prováveis.








Tempos modernos A nova bonequinha de papel. Clique aqui para despi-la.

:D





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O que se comenta Sean Penn e Scarlett Johansson estão namorando.





03.03.11

Chope de madrugada; hóstia no café da manhã.


02.03.11

                                   
kate e johnny                                                                                           


Dou uma passada no twitter pra ver a pauta. As notícias do Trends ainda são de ontem. O que mais se comenta é que a Sandy é a nova garota da Devassa. Só se fala (mal) disso. Acho tão antigo e blasé. A Devassa conseguiu emplacar mais uma polêmica, ponto para a Mood.

Considerando que a Sandy, segundo pesquisas, está no top do público interessado em ver mulher pelada; sua imagem ainda está ligada pureza e virgindade, e o comercial (que ainda não vi) veio imediatamente após a campanha com a Paris Hilton, foi genial.  O slogan (Toda mulher tem seu lado devassa) é ótimo. 



(*dezembro de 2016 = agora eu não poderia escrever isso. Toda mulher tem seu lado devassa. Como diz M., agora que a gente pode falar tudo, não pode falar nada. A gente muda com o tempo. Nos arquivos têm muitas coisas esqueçam-o-que-escrevi. Já falei no blog que não entendia pessoas que votavam em mulher só porque ser mulher. Hoje  é o que faço e acho que deve ser feito. Cada um faça o que quer, claro)







Bonito: saí com vestido que eu não sabia que era transparente na claridade, fui a dois bancos, a rainha do constrangimento. Antes entrei num armarinho. "Meu vestido está transparente?" - perguntei à mulher que separava agulhas. "Completamente". É o tipo de resposta que não é boa de ouvir. "Muito?". "Muito". Não tinha como voltar em casa, e fiz tudo rapidamente, querendo me livrar o mais rápido da situação. (...)

Trabalhando mais do que remador do Ben-Hur, ou pelo menos deveria estar. As tartarugas e os jabutis são os vertebrados mais ameaçados de extinção, leio na revista, que jogo num canto. Aproveitando que hoje é o dia da diarista, me jogo no trabalho, mas só sei escrever sem compromisso, então escrevo e risco o tempo inteiro.

Sem você tropeç



01.03.11
Sem você tropeço e
caio
levanto,
desmaio.




Onibus Estou no ônibus, tentando sempre ser feliz, de qualquer maneira feliz, quando leio na tela: Morre coruja chutada por jogador panamenho. Preciso fazer um esforço louco pra não desmororar (por fora), porque por dentro já era. A cada dia tenho mais certeza: o ser humano não merece dividir o planeta com os animais. É um intruso mal educado, cruel e