31.12.02


Desejo a todos, no Ano Novo, muitas virtudes e boas ações e alguns pecados agradáveis, exultantes, discretos e, principalmente, bem sucedidos.

Rubem Braga



Before Vou passar o Ano Novo num navio em Copacabana. Ver os fogos do lado contrário. Mandaram uma camiseta-convite. Se eu vesti-la, será como ir de camisolão. Também não tenho talento para transformá-la, colocar paetês, e recortes sexy. Ainda não sei o que vestir, parece que a festa é daqui há um mês. Em duas horas saio de casa e nem sequer pensei o que usar. Talvez use uma blusa verde-água, de paetês-em-pé - verde não é esperança? (Claro, Fer, ela tem uma manchinha e pretendo dar uma daquelas: "Ué, que isso, onde foi que eu encostei?" ) Mas e a camisetona? Preciso cortá-la e transformá-la numa outra coisa mas cadê a única tesoura boa da casa? Deixo tudo para o último minuto. Vou fazer da camiseta uma pulseira e estamos conversados.


Sobre a importância do telefone, do celular, do fax e do email






30.12.02



Virada

Réveillon que promete. Viagem em janeiro. Xô, 2002.


29.12.02

O último domingo do ano S. trabalhando direto, às vezes suspira no ar, de cansaço. De noite, farei massagem até ele dormir e cessarem as dores musculares. Hoje fugimos para almoçar no Ettore, no intervalo entre um programa e outro. Releio O Matador, de Patricia Melo, fico olhando para as paredes, molho as plantas, brinco com os gatos, venho ver se tem email ou uma foto bonita para transformar em post. Preguiça de arrumar os armários e livros. Mentalmente, faço listas para 2003. Quero trocar os desejos por planos.
aceito flores, beijos e anéis
a contragosto e em último caso, motéis

mas não me venha com suíte
que romantismo tem limite


(martha medeiros)


28.12.02
Muito legal o depoimento de Ferreira Gullar, na TV Câmara. Incrível como você, zapeando, vai parar numa emissora oficial e se depara com um intelectual contando tudo que aconteceu na época da ditadura, citando nomes, culpados, falando da tortura que sofreu - 72 horas sentado sob o holofote tendo que responder perguntas que não sabia responder - do exílio, de como ele fez Poema Sujo - tudo com um tom de humor incrível, o que tornou o depoimento delicioso. Programas como este - uma pessoa e uma câmera - deveriam ser freqüentes na tevê aberta. Tantas pessoas interessantes no Brasil, com tantas coisas pra contar, e não param de produzir lixo.


Sábado de noite Comida japonesa delivery + Quase Famosos, na TVA.


27.12.02
r.i.p  Herb Ritts



Sobre a maneira de se dispor à mesa os assassinos

Se um assassinato foi planejado para a refeição, é claro que se deve posicionar o assassino nas proximidades de sua vítima (se à sua esquerda ou à sua direita, isto depende do método que empregue o assassino), dado que, dessa forma, se interromperá menos a conversação ao manter-se a ação circunscrita dentro de um pequeno setor. A fama de Ambroglio Descarte, assassino principal a serviço de Meu Senhor Cesare Borgia, reside em sua habilidade para levar a cabo sua tarefa sm que nenhum comensal o perceba, com exceção de sua vítima.

Uma vez que o cadáver (e, se houver, também as manchas de sangue) tenha sido retirado pelos serventes, o normal é que o assassino também abandone a mesa, já que, algumas vezes, sua presença poderia perturbar a digestão daqueles que estão sentados perto dele.

Para a ocasião, um bom anfitrião sempre terá pronto um novo convidado, que ficará esperando do lado de fora, até que chegue o momento de juntar-se à mesa.

(Os Cadernos de Cozinha de Leonardo da Vinci)


26.12.02
Quase Ano Novo Luciana, Cora e eu nos reunimos no G&R e bebemos champanhe :)



Nosso presidente Um amigo me contou hoje que o advogado Roberto Aguiar, atual secretário de justiça do Governo Benedita, tem uma grande admiração pelo Lula, que teve início em 1989, durante a disputa do petista com Collor. Depois do ex-presidente ter invadido a vida íntima de Lula, falando de aborto, Lurian e todas aquelas baixarias, Roberto Aguiar levantou a ficha do Collor e, claro, era um prato cheio. O Caso Ana Lídia, um monte de escândalos. Lula leu o relatório e disse: “A vida particular dele não me interessa”. Perdeu a eleição mas não perdeu a dignidade.


Muita gente se pergunta o que os apresentadores conversam, quando termina o telejornal e sobem os créditos. Ronaldo Rosas, quando apresentava o jornal da TV Manchete costumava falar palavrões. Até que um dia o Adolfo Bloch recebeu uma carta de um telespectador surdo-mudo, dizendo que aquilo era um absurdo, uma falta de respeito com o público. O dono da emissora chamou o apresentador e falou pra ele não fazer mais isso etc etc. Naquela noite, o telejornal terminou, sobe a música e Ronaldo Rosas, pausadamente, em linguagem labial:
-Mu-di-nho fi-lho-da-pu-ta.



O Natal foi bom, os natais felizes são todos iguais. Rabanadas, amigo oculto, árvores que piscam. Piadas repetidas, histórias que já contamos muitas vezes e rimos tudo de novo, "conta aquela!" e a gente ri, por que não lembravávamos mais o final. Hoje relembramos umas ótimas, sobre os erros na tevê. Este assunto sempre vem à tona, as gafes de jornalistas. Já contei umas aqui no blog.



A burrice do telemarketing Ligo para o Jornal do Brasil para renovar minha assinatura e ganhar um DVD. A moça me diz que mesmo com o pagamento feito à vista, só receberei o aparelho dentro de 45 dias. E o jornal, dentro de 48 horas.

- Mas vocês são lentos, hem?
- São normas da empresa, senhora
- Mas a empresa é lenta, hem?
- Correto.

Ela descobre que há uma fatura em aberto, na minha assinatura anterior. Digo para ela debitar do meu cartão o que devo e fazer a nova assinatura. Ela diz que não é possível, que vai debitar o que devo (vinte reais?) e só depois de eu ter pago o Visa posso fazer a nova assinatura. Burrice. Não sabe ou não está interessada em saber que deve-se pegar o consumidor no calor do momento. Pede para que eu ligue um outro dia para fazer a renovação, que custa mais de 500 reais. Digo ok e resolvo assinar a Folha de S. Paulo.


Dica de cd Emmerson Nogueira, no violão, cantando Peter Frampton, Pink Floyd, Eric Clapton, Paul Simon, Queen. Super bacana.





“Quebro a cara toda hora. Mas só me arrependo do que deixei de fazer por preconceito, problema e neurose.” (Leila Diniz)


21.12.02
Jornalismo ácido

1 e 2

Insubstituível.


20.12.02
Pudica Tenho um franzido entre as sobrancelhas, permanente e desagradável. Por causa disso, muitos anos atrás, um homeopata me disse que eu deveria fazer análise para resgatar a figura do meu pai. Não sei o que tem a ver o franzido com o meu pai, mas fui no consultório que ele me indicou. Análise Reichiana. Tinha uma idéia vaga de que este tipo de análise se faz sem roupa e fui lá ver qual era.

- Tenho que ficar pelada?
- Sim
- Impossível. Se um homem que eu nunca vi antes me mandasse tirar a roupa e eu tirasse na boa, consideraria que eu sou uma pessoa tão bem resolvida que não precisaria fazer análise
- Não precisa tirar tudo, pode ficar de calcinha
- Inviável
- Ou de sutiã e calcinha
- Sem chances
- Biquini
- Não
-Short e bustiê?

Fui embora e até hoje não sei se o cara era um picareta ou se aquilo já era análise e ele estava apenas testando meus limites.

Para a Frau.


19.12.02

Os melhores filmes que eu vi esse ano: Cidade dos Sonhos, Moulin Rouge, Corra, Lola, Corra, Fale com Ela e Inteligência Artificial.

Que eu lembre.



Coisas do Rei Um repórter da Globo contou que foi entrevistar o Roberto Carlos e ele é uma graça de pessoa. Mostrou seu estúdio na Urca, um dos dez mais modernos do mundo. Lá ele guarda um calhambeque e um cadilaque. Ele fala o tempo todo da Maria Rita, a quem se refere como "meu bichinho".


Coisas que são consideradas ruins mas eu acho gostosas

ter febre
suar frio
bater com o cotovelo numa quina
martelinho de médico no joelho
tirar pressão


Noite Almocei com Helena. Anota a entrada por que é maravilhosa: alface comum + alface americana + pera e queijo de cabra cortados em fatias finíssimas. Azeite. Uma delícia. Fiz as compras de natal, parte. Minha lista é de seis presentes. Comprei quatro. Entrei na livraria e dei a coisa por resolvida. Vi o Bussunda andando na rua, enquanto ao mesmo tempo, lia o Pasquim. E Nelson Motta almoçando com Diogo Mainardi.

Saiu um Lawrence Block: Os Pecados dos Pais. Oba.


18.12.02
Mulheres Assassinadas Muitas homenagens a Evandro Lins e Silva mas não podemos esquecer o mal que ele fez às mulheres, quando foi advogado de Doca Street - no famoso caso Angela Diniz - e, para inocentar o assassino, inventou o conceito de legítima defesa da honra. Por causa deste artifício, muitas mulheres foram assassinadas e muitos homens ficaram impunes.


Cassino Royale Meu medo, como diria a Regina Duarte, é que tem muita estrela na equipe Lula. Sabe aquelas produções de Hollywood, cheia de famosos, mas que no final o filme é uma merda?


17.12.02
Eu fico feliz em ter sido jovem numa época em que o sexo já não era pecado e ainda não era banal.


Caderno de Sonhos

Eu e minhas amigas tirando fotografias.

- Gisele (Bündchen), corre, vem tirar uma foto com a gente!
- Oba! Pera, vou pegar minha coroa!


Faz sentido.


16.12.02



Você já comprou o calendário de 2003 da Suípa? É de cortar o coração.


“Vida de planta, gente, animal, tem que ser entrelaçada” Ana Maria Machado
“Recolha um cão na rua, lhe dê comida e ele não o morderá. Essa é a diferença fundamental entre o cão e o homem” Mark Twain
“A compaixão para com os animais é das mais nobres virtudes da natureza humana” Charles Darwin



Autocrítica O problema é que eu sou um pouco exibida.


13.12.02
Os cadernos de cozinha de Leonardo Da Vinci

Apesar de vegetariano - cinco séculos antes de ser moda, diga-se - o livro de Leonardo Da Vinci, traz receitas cascas-grossas, que incluem porcos, pavões, carneiros, cabeças de cabra, coelhos e até serpentes. Um dos maiores gênios de todos os tempos, ele também cozinhou para tabernas e banquetes - onde era obrigado a servir muita carne, para que os senhores feudais pudessem demonstrar poder.

Na cozinha, ele também inventou muitas coisas: as tampas de panela e os guardanapos, por exemplo. Ele também inventa o sanduiche, quando diz "Se eu colocar uma carne no meio de dois pedaços de pão ... como chamarei este prato?".



Na introdução do livro está escrito que existem dúvidas se os manuscritos são realmente dele. Mas seu passado de cozinheiro, sua genialidade e os inúmeros textos espalhados que apareceram após a sua morte, faz supor que é bem possível. De qualquer maneira, podemos ver o que serviam nas mesas italianas no final do século XV e as dicas que ele dá, algumas super modernas para a época.

Flores fritas
De acordo com a minha experiência, o botão de abobrinha é a única flor que pode ser utilizada. Corte-o e frite-o rapidamente em azeite.

Para tirar manchas de sangue das toalhas de mesa
As manchas de sangue nas toalhas de mesa (que podem ser provenientes de um acidente com a faca de cortar ou de algum assassinato) já não representam problema algum, nem se deve tirar a toalha para limpá-las. Deve-se esfregar com força a área manchada com água de nabos morna.

Chicória
Suas raízes raladas e regadas com azeite, sal e vinagre funcionam como afrodisíaco e também são boas para doenças contagiosas, intoxicações e o sofrimento.



Senhor, livrai-me das filas, das idas ao shopping, dos panetones, da lista de presentes, dos envelopinhos dos entregadores de revistas, do livro de ouro dos porteiros, das árvores com neves de algodão, dos presentes que nunca usarei, do peru com rodelas de abacaxi. Amém.



O que se diz Chico Buarque não tem email. Chico Buarque não gosta de internet. Chico Buarque é viciado em paciência.


12.12.02
                                                         Casa dos Artistas  

                             Marlene Dietrich


Sobre a rotina de escrever I

Eu sou do tipo que era o Jorge Amado. Passo um tempo sem fazer nada. E, de repente, não atendo ninguém - até acabar o novo romance. Tenho medo de interromper um livro. Romance interrompido é romance perdido. Às vezes acontece de eu estar cansado, comecei às 3 horas da tarde e são 3 horas da manhã. Parei para jantar, fumei um charuto. Estou cansado, não agüento mais. Aí, desligo o computador e vou dormir - mas vou dormir com medo. Será que vou terminar amanhã?

As crônicas faço em cinco minutos.

(Carlos Heitor Cony, Cadernos de Literatura Brasileira)






Meu dia hoje Cenário errado, personagens errados, figurino impróprio, desfecho provável. Temperatura certa.




Na onda do Elesbão.No oitavo dia, Ele criou:

o feijão manteiga
o vira-lata
a música
o Harrison Ford
o beijo
o pão francês
a torta de morango
os livros
a rúcula e a alface
os homens de olhinhos meio puxados
o espaguete
o cinema
as cartas de amor
a batata
a sandália havaiana
a caneta e o papel



11.12.02
Receita

Salmo 91, na hora de dormir. Salmo 23, ao acordar.



Saia Justa Está chovendo. Chuva sempre faz com que a gente se sinta meio melancólico, com saudades. Eu sinto saudades de coisas que ainda irei conhecer. Antídoto recomendável: vestir um pijaminha, meias (meias são fundamentais), levar o edredon para o sofá e ficar assistindo às mulheres tricotando, na GNT.






O jantar na casa de Fellini, quando Ingmar sentou-se num canto com Giulietta Masina, a mulher de Fellini, ela perdeu sua timidez e começou a cantar. Uma voz alta, clara, como a de uma criança.

"Não posso sair da sala um minuto sem que minha mulher faça alguma tolice", disse Fellini, à porta. Ela se levantou depressa. Não respondeu. Através da janela da varanda, a vi caminhar pelo jardim, colhendo flores das árvores. Mais tarde, entrou novamente e deu uma a cada um de nós. Sorria o tempo todo.

Mas, quando se movimentava, era nas pontas dos pés - para ninguém notá-la.

Liv Ullmann, Mutações.





Separados no nascimento: José Roberto Marinho e Homer Simpson.





Os diretores 




François Truffaut - A Sereia do Mississipi, 1969.





CAMPANHA BLOWG: MAURO VENTURA, FAZ LOGO TEU BLOG!




Deus é a nossa vontade (Motorista do 409, Horto-Saens Peña)




A NOITE DA PALAVRA

2:40 Hoje foi a festa de inauguração do site Portal literal, da Conspiração. Foi um happening no MAM, super lotado. Não gosto de fazer posts elogiando pessoas, fico com vergonha, sempre sai melado demais. Mas o que eu posso dizer do casal Denise e Mauro Ventura? Meu Deus, sinceramente me faltam adjetivos pra descrever tanta fofura. E o Aldir Blanc? Que pessoa carinhosa! Estávamos todos indignados com a demissão do cronista, que foi mandado embora do jornal O Dia, sem ao menos ser avisado. Pior, mandado embora por um governo que nem assumiu ainda mas já aprontando todas. É lastimável, a ditadura se instalando no Rio!

Conheci a Bia, da Cora.

Tinha um monte de gente lá, Lygia Fagundes, Zuenir, Ferreira Gullar, Veríssimo (infelizmente chegamos depois do show da sua banda) e Guel Arraes, pra citar alguns. Rubem Fonseca fez forfait. A performance foi legal porém um pouco longa - atores dizendo frases, trechos de poemas e crônicas. Faltou um tempo para as pessoas poderem conversar um pouco.

Mas o melhor da noite foi Luiz Henrique Fonseca. Bota mil suspiros aí.

No final um rapaz passou com um potinho cheio de papelzinho dobrado, pra gente escolher um. Pra mim caiu: Quando a gente fala de alguém muito famoso e esquece o nome dele, ele continua famoso?

Good question.

Depois fui pra casa da Helena, onde lanchamos na cozinha, coisas gostosas, como pão, azeite e pasta de azeitonas e conversamos madrugada a dentro.





O amor nos tempos do dólar Viu o contrato pré-nupcial que a Jennifer Lopez fez para se casar com o Ben Affleck? Ele deve transar com ela no mínimo quatro vezes por semana e, em caso de traição ou mentirinha, terá que pagar multas que variam de 1 a 5 milhões de dólares.




“Ela não poderia empurrar o carrinho do bebê e a minha cadeira de rodas ao mesmo tempo”Michael Douglas, 58 anos, explicando por que se apressou em ter um filho com Catherine Zeta-Jones, 25 mais nova



06.12.02
Uma janela caiu do alto de um prédio na cabeça de uma criança. Depois eu é que sou paranóica.

Das coisas que detesto na vidaLer manual



Pudim de Sabugueiro

Pegue algumas flores de sabugueiro e ponha-as de molho em água. Escorra-as, moa-as junto com amêndoas descascadas e sem pele, misture tudo com igual quantidade de miolo de pão molhado e adicione o açafrão mais brilhante para dar cor. Há quem acrescente dois ovos batidos, queijo ralado e uvas ácidas mas penso que não é necessário: cozinhe assim como está. Meu amigo Lábio não gosta deste prato não apenas por causa do sabor, mas também por causa do seu cheiro. No entanto alguns afirmam que é benéfico para hemorróidas e melancolia.

Do livro Os Cadernos de Cozinha de Leonardo da Vinci, capítulo Pratos que Realmente Detesto (mas que, apesar disso, Battista insiste em servir-me)



Um homem me manda um papel onde está escrito "Eu te amo". Mando outro papel para ele sem nada escrito.

Caderno de Sonhos, de Ana Miranda.

Também vou fazer um caderno de sonhos.





11 da noite Fui jantar no B!, com Helena, pra fazer hora para buscar J. numa festa infantil. Tinha show do Paulo Moura. Roberto D'Ávila - o príncipe dos entrevistadores - estava lá.

Enquanto Helena procurava um livro de culinária mineira, me sentei para ver O Lugar do Escritor, de Eder Chiodetto, com 73 fotos de escritores em seus locais de trabalho. É bárbaro. Com cenários franciscanos ou discretos - como Adélia Prado e Ariano Suassuna - modernos, como Patricia Melo; formais, como o de Cony ou escritórios caóticos com os de Ferreira Gullar e João Ubaldo, o livro dá água na boca. 





Super fashion Vou dar uma dica pra Mara Caballero, do Ela, suplemento do jornal O Globo, ou para a Regina Martelli, enfim, esta gente que dita moda. Que tal se fosse super roupas não passadas a ferro, amassadonas, e, mais importante, roupas com pequenas manchinhas que não saem - mostarda, molho de tomate, tinta de caneta, gordura - sabe o óleo  da pizza que  escorre na sua camisa nova? As desastradas agradeceriam tanto! Eu entraria na lista das dez mais.


04.12.02
Estou sem vontade de escrever hoje. Ainda bem que a Ivanilda volta na segunda-feira, por que o serviço doméstico é uma coisa muito, muito chata. A repetição diária exaspera. 


Ontem meu dia, que tinha tudo pra ser bem monótono, acabou se transformando numa série de acontecimentos agradáveis. Fui trocar minha roupa (uma calça por uma blusinha e uma camiseta – um assalto consentido) antes de ir ao médico. Dei uma passada na feira do livro, na N.S. da Paz, onde havia uma banca com todos os livros por cinco reais. Comprei O Dicionário de Borges. Já estava no lucro. Depois passei rápido na Travessa, para comprar um livro que S. havia me pedido. Estava com desejo de comer um cheesecake, apesar de meu tempo ser mínimo para isto, estava quase na hora da consulta.

-Você tem Uma Mente Brilhante? perguntei ao vendedor
-Tenho - Ele respondeu, sem modéstia. Rimos. Comprei a correspondência da Clarice também.

Subi para o B! e pedi a torta e a conta ao mesmo tempo. Quando estava descendo encontrei minha amiga Aldinha e lamentamos não termos tempo para conversar. Prometi voltar depois da consulta. Voltei e conversamos um pouco, matando parte da saudade. Quando estava saindo da livraria, vi o Veríssimo entrando. Suspiros. E o Villas-Boas. Me toquei que era a noite de autógrafos do Noblat e tb que tinha que voltar correndo pra casa pra providenciar o jantar – pedir pizzas por telefone.

Foi o tempo de tomar um banho e voltar pra lá, com S. e Clarinha, que foi com a condição de depois jantarmos no Gula Gula.

Bom, pra resumir a noite do lançamento do livro: se jogassem uma bomba na livraria, hoje não teria jornal. Estava todo mundo lá: Fritz Utzeri, Jânio de Freitas, Millôr Fernandes, Miriam Leitão, Ruy Castro, Boechat e um monte de feras. Agora o mais importante: Conheci aCora. Ela conseguiu uma coisa que eu julgava impossível: ser ainda mais adorável do que eu podia imaginar. Charmosa, engraçada, muito doce e gentil, me apresentou ao Millôr e ao Jaguar. Ela é muito querida mesmo. Foi uma noite ótima. Tb conheci o Joaquim Ferreira.


03.12.02
Agenda de hoje

Angela
passar e lavar roupa
ligar para Antonio
ótica
ligar de noite para I.
dermatologista
trocar calça
Travessa 
pesquisar matemáticos

Preferiria estar voando.


02.12.02

Globalização Propôs a galinha para o porco - Topas? Eu entro com os ovos. E eu? pergunta o porco. A galinha responde: Bem, eu estava pensando no bacon...



Ah, sim. Sundown e cheiro de chuva na terra - como agora. E maresia. Dama da noite. Pão de padaria saindo naquele instante. Ever and forever, do Dior. Baseado vindo da casa do vizinho. Nuca do homem que a gente ama. Bebê. O cheiro inebriante da flor da meia-noite, que tem no sítio da Monica.



As cartas de Dona Clarice

Mais correspondências entre escritores, assim não há dinheiro que chegue.


São cartas de Clarice Lispector, escritas para seu namorado e depois marido, Paulo Gurgel Valente e para os amigos Fernando Sabino, Érico Veríssimo, João Cabral de Mello Neto, Lygia Fagundes e Rubem Braga, entre outros. E muitas para Lúcio Cardoso, escritor, homossexual, por quem Clarice era perdidamente apaixonada, antes de se tornar a escritora famosa.


Belém, 6 de fevereiro de 1944
''Lúcio:

Quando telefonei para você pra me despedir fiquei aborrecida com um engano seu. Eu disse que nunca tinha podido chegar mais perto de seus problemas porque você nunca deixava; que eu, por encabulamento, então, disfarçava minhas perguntas de amizade em perguntas de curiosidade. É bem possível que você já nem saiba do que estou falando, tenha esquecido. Mas eu precisava lhe repetir que minha amizade não se transformou em curiosidade, o que seria horrível para mim.

Estou aqui meio perdida. Faço quase nada. Comecei a procurar trabalho e começo de novo a me torturar, até que resolvo não fazer programas; então a liberdade resulta em nada e eu faço de novo programas e me revolto contra eles. Tenho lido o que me cai nas mãos. Cai-me plenamente nas mãos Madame Bovary, que eu reli. Aproveitei a cena da morte para chorar todas as dores que eu tive e as que eu não tive. - Eu nunca tive propriamente o que se chama de 'ambiente' mas sempre tive alguns amigos. Aqui só tem 'mutucas' (isso é besouro, mas por que não chamar tudo de mutuca logo de uma vez?)

Lúcio, como vai você? Responda, se responder, claramente a essa pergunta. (...)

Lúcio, sei que sou antipática e não posso fazer nada. Eu só falo de mim porque nem sei o modo de abordar você (...) Saudades da Clarice.''

Correspondências, organizado por Teresa Monteiro, Rocco, 332 páginas, 37 reais.



Me contaram que o futuro secretário de energia, Wagner Victer, tricolor-doente, para que o filho tomasse horror ao flamengo, deu a ele uma mamadeira, com o símbolo do rubro-negro, com umas gotas de limão. Até hoje, o menino faz careta cada vez que olha o símbolo do mengão. Não é cascata não, ele confirmou a história, com um certo orgulho.

Homens.