Hélène Delmaire





Gosto muito daquele texto da Eliane Brum, acho que muita gente conhece. Sobre uma menina de menos dois anos, sua sobrinha Catarina, que um dia, em uma festa, ao ver uma criança com a perna quebrada gritou, talvez no seu primeiro espanto diante da vida: "A menina quebrou!" Por causa disso, a escritora, que acha que não foi leal não explicando a verdade à Catarina, escreve uma carta pra ela. Dizendo que as pessoas quebram. Quebram muitas vezes na vida. No final do texto, ela conta que anos depois as duas estavam no supermercado, com o carrinho cheio de compras, quando viram um homem na fila do caixa. Estava vestido com roupas velhas e sujas e cheirava mal. Elas ficaram com medo da reação das outras pessoas, de ele ser rejeitado, ou ser tratado com rispidez. O homem então se aproximou delas e perguntou:

- Por favor, será que posso passar na frente de vocês porque tenho pouca coisa?

Na verdade tinha apenas uma. Ele, um homem que não tinha nada, que havia, talvez, perdido tudo, tinha escolhido uma coisa para comprar: um sabonete. Eliane diz então para a Catarina que ela um dia poderia quebrar. E se perguntaria por que continuar, mesmo quebrada. "Sabe por que, Catarina?"

Por causa do sabonete.



Contei com a memória para escrever esse post. Aqui você pode ler a história original. E aqui você pode ouvir Eliane contá-la.









Vírgula demais, com certeza colocadas em lugares errados. Culpe o, twitter, não a mim,