@gowriters






Como eu estava dizendo, acabou o dinheiro, precisava resolver isso com o banco, pra eles me darem mais crédito no cartão. Fiquei no telefone público de hotel ligando para o Rio de Janeiro e caía naquela mensagem do fone fácil,  chata, diária, robô. Mas pra mim era um bálsamo. Voz de brasileiro. E já sabia escolher as opções de cor.


Daí eu não conseguia emitir os dados, foram horas, de vez em quando minha irmã descia espantada pra perguntar se estava tudo bem ou se eu queria um café. O que espantou minha irmã é que eu não estava desesperada. Me dá um super estresse, mas ele é tão alto que consigo fazer tudo mecanicamente.  Não era eu que estava naquele telefone, era um clone. O negócio foi tão barra pesada que chegou uma hora que a atendente do banco disse para eu lhe dar a minha senha. Eu dei com alegria, pois devia estar ali há mais de três horas. Logo mudei as letras etc.


Não sei como a minha irmã quer viajar comigo de novo. A gente quer muito, o que foi legal, foi muito legal. Até dentro desses 3 dias de loucura, foi legal. Porque eu me adestrei e consigo no meio do caos ir à confeitarias legais, entrar em lojas. Eu não iria querer viajar  comigo. Ela foi muito companheira, me deixando só para agir, mas ali do lado. O que me deixou sem graça foi o dia que a gente estava com um desejo louco de comer aquele fetutine do Olive (quem nunca?). Só que fechava cedo. Corríamos como duas loucas pelas ruas. Estava aberto e fila com fila.



Ficamos esperando um tempo quando me veio à mente uma coisa horrível. Como eu ia contar à ela? Como dizer: Esquece o desejo, porque eu esqueci meu cartão de crédito no caixa eletrônico do Santander da Quinta avenida.


(Quem dormir no meio da leitura eu compreendo.)



Minha irmã teve uma relação espetacular, de tudo bem, a mesma que eu teria. Uma viagem de lazer, olha que sacanagem. Corri até o banco feito uma alucinada, estava fechado, não tinha nenhum cartão nas máquinas. Perdi o cartão de credito



Incrível como isso não estragou a viagem maravilhosa. Tudo que ela estava a fim, eu também estava. E vice versa. Meu Deus, aconteceram tantas coisas, estou lembrando agora. Sem cartão, fiquei mais quatro horas no telefone, de noite ( a linha caiu  muitas vezes), para que eles me mandassem algum dinheiro, pois não podiam deixar um cliente em apuros em outro país.




Daí vira um filme B de ação. Eles iam deixar a grana em lugares diferentes, em vez de deixar tudo em um lugar só, era como uma gincana. Isabela, me diz se era assim mesmo. Não foi bizarro? Fomos a uma charutaria; tipo um bar; a uma farmácia; e uma loja enorme de departamentos. Não sabíamos com quem falar sobre o assunto. Depois que a gente viu que eram máquinas eletrônicas, mas não ficavam muito visíveis. Gincana. Foram 3 dias neste embalo de Corra, Lola, corra. Consegui o dinheiro.





Tem uma história que a minha irmã não sabe, aconteceu no primeiro dia que eu estava no telefone, daqueles grudados na parede. Quando percebi tinha perdido um dos brincos Swarovski que eu tinha comprado naquele dia. Mas eu não podia conta isso à ela porque eu queria os brincos de volta,  e ela ia pensar "Como é louca!".

Distraída é a palavra certa. A cabeça na lua, não presto atenção nas coisas. Eu ficava olhando pro chão procurando no lobby, e ela perguntava: "Você está procurando alguma coisa? Eu dizia: "Não, não...". No dia seguinte eu falei: "Porque você não vai na Lindt?" Era colado à Swarovski. Nunca comprei um brinco tão rápido, a vendedora compreendeu tudo, a minha pressa, foi cúmplice na rapidez, toma o dinheiro, e saí colocando um brinco na orelha. Então entrei na casa de chocolates.










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