Das coisas impressionantes que já aconteceram comigo, incluindo transmissões de pensamento e anjos.



Minha mãe dizia que tínhamos que tomar cuidado com o que pedíamos em voz alta, porque os anjinhos voavam de lá pra cá dizendo "Amém!",  e se falássemos alguma coisa ruim, um deles poderia estar passando naquele exato momento.

Eu tinha uns 19 anos e estava num trânsito louco com meu namorado. Passou um reboque carregando um automóvel. "Queria tanto andar nisso!" - falei. No dia seguinte o carro dele pegou fogo e pude realizar meu sonho.
...
Trabalhava num lugar que eu gostava e, aparentemente, tudo corria bem. Num domingo fui levar meus filhos para ver uma peça infantil no Centro Cultural Candido Mendes, em Ipanema. Era muito legal, tinha festivais com filmes da Leila Diniz, e as paredes eram cor de abóbora. "Queria tanto trabalhar aqui!". Fui mandada embora e, menos de dez dias depois, comecei a programar cursos de verão

                                                             ~Anjos eventuais~

Se você está na estrada à noite, voltando de uma viagem, fura o pneu e, do nada, um homem aparece pra te ajudar, ele não é um anjo, é uma pessoa normal mas, naquele instante, é um anjo eventual. Nós podemos ser anjos eventuais também e, provavelmente, já fomos algumas ou muitas vezes.

Certa vez estava na Praça N.S. da Paz esperando para atravessar o pequeno trecho da Maria Quitéria. Só que, distraída, não esperei o sinal fechar. Um homem tocou de leve no meu peito e disse bem baixo: Não. Dei um passo pra trás, subindo na calçada. Olhei em volta, mas não soube a quem agradecer.

Eu tinha uma livraria chamada Vira-lata. A válvula da descarga estava enguiçada, era terrível, o banheiro estava interditado há dias. De repente entrou um cara alto, bonito e grunge, e foi direto para o banheiro, ao mesmo tempo que me comunicava: "Posso usar rapidinho?". Antes mesmo de eu dizer que não estava funcionando, ele falou "Temos um probleminha aqui". E consertou.  

Esse cara, que se chamava Carlão, era engenheiro desempregado, morava ali perto e passou a frequentar a loja assiduamente, pra bater papo e mostrar pequenos barcos que ele fazia em madeira
colorida, a título de vendê-los.

Sem saber, ele fez outro super favor pra mim.  Eu estava brigada com o meu marido, chateadíssima, quando o telefone tocou. Ele atendeu. "Eu queria falar com a Marina". Meu marido, curioso com a voz masculina, perguntou quem era. "Fala pra ela que é o Carlão".  Hahaha. Era tudo que eu precisava. O mais interessante é que não lembro o motivo de ele ter ligado, já que não tínhamos essa intimidade. Na verdade, nem sei porque tinha meu telefone.


~transmissão de pensamento~



Tinha uns dez anos. Estava sentada na pracinha do Alto da Boa Vista, com o meu padrasto, esperando minha mãe acabar de dar aula, ali pertinho, no Colégio Sacre Coeur. Resolvemos brincar de adivinhar profissões. Só podia responder sim ou não. Antes de perguntar qualquer coisa, ele disse: "Revendedora dos produtos Avon". Acertou.


Você pode duvidar dos anjos, inclusive dos eventuais, e colocar tudo no pacote das coincidências. Mas não pode duvidar da transmissão de pensamento. Aconteceria outras vezes comigo, mas feitas com muito esforço -  quem já tentou sabe que é muito difícil fazer este elo. Eu queria muito que meu futuro-namorado-marido-e ex-marido ligasse pra mim. Estava apaixonada e precisava ouvir sua voz. Ele telefonava às vezes, estudávamos juntos e de vez em quando combinávamos alguma coisa, como trabalhos de grupo. Só que já eram duas da manhã, o que fazia com que tanto esforço fosse quase em vão.

Só que ele ligou. Não era apaixonado por mim, nem nada. Havia música alta e foi preciso falar bem
alto para eu escutar:

- Estou aqui numa festa, não sei porque resolvi ligar pra você.






~coincidências~

Estava em Nova York  quando fui abordada por dois estranhos.  Eu tinha 21 anos.

(elipseeeeee)


um deles me perguntou se eu poderia levar uma encomenda para um amigo, já que eu estava voltando para o Rio. Eu disse que sim e perguntei onde o amigo morava. Era meu vizinho de porta.







A graça da vida.