Nossa Grace Kelly






Uma vez perguntei no tuíter se uma rede social sem likes daria certo. Ninguém se manifestou, esta é a essência de lá. Adoro. As pessoas iam querer? Provavelmente não. Quando abri o twitter tinham 12 notificações (o like foi substituído por um coração, ou seja, "amei". Nada mais anti twitter). Dá um pequeno prazer. Somos todos vítimas das redes, e realmente aquele episódio dos likes, do Black mirrow, está a meia hora de acontecer.




A que eu mais gosto é o Instagram, porque queria ser fotógrafa.





Como a gente se boicota: comentei com o professor de fotografia - todo o Rio de Janeiro fez seu curso, na Casa na Gávea, colada na PUC.  Ele disse: "Então faz o meu". Bolsista e com máquina de lentes intercambiáveis emprestada  (sempre lembro disso, estava  escrito na sinopse do curso). Mas às vezes a gente só quer o sonho mesmo, porque virar realidade dá muito trabalho. Além disso, achava (e acho) que teria dificuldade de entender esse lance tipo quantos graus, sou zero exatas, infelizmente. Também estava passando por um momento de distimia.





Tinha 30 anos, era programadora de oficinas e eu só chamava pessoas quentes, tipo Maneco Quinderé, Maciel, Carlos Henrique Escobar [ ver Diário]. Fui a primeira, creio, a criar cursos de roteiros. Pode ser que não. Nunca disse isso porque acho antipático. Depois explodiu. Nunca tinha visto antes, pelo menos em casas de cultura conhecidas, whatever. Antonio Cícero (Caetano e Marina Lima como alunos bolsistas, quer dizer, eles nem falaram comigo, mas foi ótimo pq a assessoria de imprensa - Cristina Massari, primeiro, e depois Luciana Vasconcelos - conseguiu uma notinha no JB), Bia Lessa, Gringo Cardia, nossa, muita gente.



A Paula L. fazendo escudo, blindando o Caetano como uma leoa protegendo o filhote. Antonio Beato, Junito Brandão (tinha que fazer no auditório, porque era gente demais e muitas ficavam em pé) Um dia ele deu um curso chamado Helena, e na platéia, Marieta Severo e sua filha Helena. É quase uma poesia esse lance.



O Rubens Correa fez um workshop só para atores profissionais, eu adorava quando eles iam se inscrever, Vera Fischer etc. Sou carioca porém deslumbrada por ver artista.


A. quis ver artista também, difícil homem gostar. Fomos ao Shopping da Gávea, blz, segunda-feira é ótimo dia, Suzana V. de paparazzo à tiracolo vai nos dias cheios*. Letícia Sabatella me fez várias confidências (SORRY), suas dúvidas profissionais, o encanto por ter virado cantora. Ela falava apoiando o braço no meu ombro, espécie de abraço, e eu só dizia "Como você é linda" (rs). Antonio Fagundes comprando oito livros na Timbre, Amora Mautner, Xuxa, Mateus Solano, Paulo José, Pinky Wainer, L Spiller, Gianecchini, Luis Melodia, todos. Uma vez vi o Jaguar. Fiquei pasma. Fomos na Chez Anne, demos à volta nos três andares (mas considero shopping horizontal) e: não vimos nenhum.


* Se bem que não está mais cheio. Acho que a classe média não tem mais dinheiro para levar filhos aos teatrinho. O shopping comemora 40 anos com 40 lojas vazias. Podia ser o slogan de aniversário. Porque cobram um absurdo por mês - 50 mil, no caso do dono do restaurante que contou isso. Não sei como conseguem se manter. Olho e não vejo nenhuma loja com clientela suficiente para arrecadar esse dinheiro. Fora pagar funcionários, luz etc. Por isso uma camisetinha custa 300 reais. Não sei como se viram. Black friday: às moscas.