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Minha mãe me constrangia de uma maneira fora do normal, achando que estava mandando bem. Sinceramente não sei como eu não sofria búlin, era um prato cheio. (apenas uma freira fazia isso comigo). Então houve uma festa da escola, na minha memória naquela praia militar, na Urca. Todas evidentemente de short ou vestidinho. Eu: conjunto de calça e camisa, com manga abaixo do cotovelo, cor-de-rosa choque, de crepe de seda. Ponha-se no meu lugar.

(Nunca vou esquecer o perfume do mar)

Sofri búlin no primeiro ano em que estudei no Anglo Americano (ao lado da Sears). Depois quando mudei de classe, passou. Minha melhor amiga era uma garota que se parecia demais com a Ana Cristina César.  Gênia. Me dava cola. Era introvertida e estudiosa. E tinha várias outras, mas no ano anterior, eu devia ter 13 anos.

"Você não tem namorado? O que você faz no fim de semana?". Eu queria morrer. Uma delas, muito bonita, tinha um caderninho de telefone cheio de nomes. Escritos com letra de formiguinha nos cantinhos da folha, para caber: todos de homens, e quando ia conversar com o professor desabotoava o primeiro botão do uniforme ----- era a que mais me zoava.


No primeiro dia de aula fui com um vestido roxo e cor-de-rosa, bárbaro. Tinha comprado na Cantão e era muito anos 70. Pois ela começou a me chamar de Roxinho, e o apelido pegou. Queria morrer. Duas irmãs ao estilo Pamela Anderson mignon, uma loura e outra morena, usavam o uniforme tão apertado, camisa e calça, que eu não entendia como conseguiam tirar e colocar a parte de baixo. Um dia sofreram um acidente de carro. O médico falou: "Vocês são muito bonitas para morrer". Contei pra minha mãe e ela ficou indignada. Tinha razão.

Fui estudar na casa da minha amiga Cristiane. Quando foi trocar de roupa, já nua, entrou o cunhado. Conversaram normalmente. Depois ela contou que todos na sua casa andavam pelados. v Os meninos, de  16 anos ou 17 anos, eram lindíssimos. Ficavam pegando sol no pátio, deitados, ouvindo música, daí o inspetor chegava e dizia, com autoridade: "Vamos desligar o rádio aí". Eles desligaram e continuavam deitados.

Saí de um colégio de freiras só de meninas, para ir para o Anglo Americano. Era o único que aceitava quem tinha ficado em dependência. Era a minha praia, só que eu não sabia nadar.


Era apaixonada por um garoto da minha sala. Seu apelido era Tô na minha. Vivia doidão, e na dele. Dormia na sala de aula. Quando o professor dizia "baseado nessa teoria...", por exemplo, ele repetia, com os olhos quase fechados: "baseadoooo".

Eu passava as respostas da prova pela janela. Respondia a chamado por ele. Nunca poderia esperar que um dia eu fosse me chamar pra ir  na Sears, trocar capas de disco.

Os discos de bandas americanas e inglesas eram caríssimos. Então os caras do colégio trocavam as capas, pegavam a do Roberto Carlos  e colocavam dentro Rolling Stones. Fiquei muito nervosa, mas era uma oportunidade de ficar perto dele.


Depois que voltamos pro colégio, sentados num banco, ele pediu meu telefone. Quis morrer. Não sabia o que fazer, fiquei nervosa, e o nosso possível namoro terminou antes de começar. Eu era muito loser. Os caras lindos me paravam "Você tem um cigarro?". Eu ficava chateada por não fumar. Todos usavam havaianas e tinham cabelo de surfistas. O trampolim era o mais alto do mundo e a primeira vez que precisei mergulhar de cabeça quis morrer.