@justintheroux
HBDJ❤
XO
66.898 curtidas







Então. Isabelle, caixa da micro agência do banco onde tenho conta, fez cara de poodle implorando biscoito, e me pediu para fazer um Capsorte. Conheço essa ladainha: "Preciso bater minha meta". Sei. Caí nessa quando eu era correntista do Bradesco (pague para entrar e pague pra sair), o gerente me pediu pra bater a meta num tal de Pé Quente. Milhões de prêmios por mês. Eu disse que não acreditava nessa parada* e ele implorando.


Eu me achando rica demais, de fato eu era rica e não sabia, aceitei. Meu raciocínio: é bom ser amiga de gerente, pra qualquer eventualidade. Isso não existe. Às vezes ligava pra ele pra saber do rendimento. "Não dá eu visualizar". Achei estranho. A resposta era sempre essa. No fim de um ano eu quis resgatar, era esse o prazo mínimo. Quando vi, o valor era idêntico ao que eu tinha depositado. Mil e 200 reais. Era como se eu tivesse guardado debaixo do colchão.



Pois caí no golpe de novo. Quer dizer, caí não, já que eu sabia que era a maior furada. Mas Isabelle! Isabelle meiga, prestativa. Um dia estava de bolsa no ombro pra ir embora, mas parou no caixaeletrônico para me ajudar num lance. Isabelle, gente fina. Isabelle, doçura. Eu disse: "Vou fazer. Não tenho interesse de fazer esse investimento. Vou fazer para te ajudar". "Mas em fevereiro você pode cancelar". Ok, jogo 40 reais fora, mas Isabelle merece. Isabelle atenciosíssima.



Hoje fui pagar contas. Isabelle estava com a cara fechada. Eu disse que queria sair do Capsorte. Ela disse que era impossível. Que tinha me dito que o tempo mínimo era de seis meses. Eu disse: "Isabelle, você disse que eu poderia sair em fevereiro. Fiz só porque você precisa bater a meta". Ela argumentou que jamais falou isso. Eu disse que falou. A cara de Isabelle ficou mais amarrada do que nunca.


Pediu ajuda à gerente. "Pode cancelar? Não sei cancelar" - disse olhando séria para o computador. A gerente falou que sim. Ela disse que não poderia fazer isso naquela hora. Que me ligaria. Não acredito nesses lances de "Eu te ligo". Falei que preferia passar no banco amanhã. Isabelle disse: "Se for o caso te dou em dinheiro". Como se eu fosse uma pessoa super inconveniente.



Essa história foi a de menos. Conheci muitas pessoas nos últimos quatro meses, cinco, acho, que mostraram ter um péssimo caráter. Por isso, antes eu achava todas as pessoas super legais, até prova em contrário. Agora, é com pesar que digo: Todas as pessoas são escr*tas, até prova em contrário.

Todos sabem que refaço posts, pego histórias que sei que já escrevi e escrevo de novo, de outra maneira. Então vale lembrar de duas.









A primeira:

*Amigo foi gerente do xxx por 30 anos. Disse que de fato existe sorteio. Mas que é feito da seguinte forma, e deu um exemplo onde esteve presente para dar o prêmio em dinheiro. Ele não tem orgulho disso. ("Se eu fosse escrever um livro sobre os bastidores..." - disse um dia, completamente bêbado) Foi ao morro entregar o prêmio em dinheiro.


A pessoa, super pobre, mal pode acreditar. Aproveitando a onda de felicidade, o Banco xxxx faz o seguinte: diz pro cara que ele tem que investir parte do dinheiro. Para render mais ainda. A pessoa está lá, bêbada de felicidade, confia no seu gerente, afinal foi premiado. Concorda. Então parte do
dinheiro retorna pro banco para um investimento pífio.






Outra. Esse banco  tem tantas taxas que um dia veio escrito no meu extrato: Cesta básica = tantos
reais. Eu perguntei ao meu gerente: "Como assim cesta básica? O que é isso?" E ele, num momento ímpar de sinceridade: "Sabe o que é? A gente não tem mais nome pra colocar. Então coloca qualquer
um".








Lembrei de mais uma. Houve um assalto na saída do banco xxx, na Gávea. Uma pessoa da minha família estava lá, e uma funcionária foi abordá-la. "Você não quer fazer um seguro 'saidinha'? O termo técnico não seria esse, mas acho que ela queria ser bem clara. Seguro saidinha de banco.


Por Deus.



Então, minha regra mudou: todas as pessoas são escr*tas. Menos as legais.