Não vi uma exposição tão ruim como a da Ana Cristina, no centro cultural da Caixa Econômica. Chega a ser constrangedora. Umas fotos, todas conhecidas, uns poemas escritos em panos, pendurados no teto (o óbvio do óbvio), uma vitrine horizontal com originais - livros conhecidos por todos, pouquíssimos manuscritos - e que eu me lembre é só. Uma cesta de postais - não sei se Ana os colecionava ou era uma referência ao livro Luvas de Pelica. Então colocaram um monte deles, muitos repetidos, postais novos, parece que tacaram tudo ali, sem nenhum critério. A mesa com a Olivetti* que, claro, imaginei como sendo a dela, era só para dar um clima. Mas não existe clima nenhum. Não há calor.  Na entrada - a mostra é bem pequena - uma mesa posta, com xícaras de chá, flores, tudo meio cafona. "O que significa isso?" - perguntei. A moça falou que é como se a poeta estivesse nos recepcionando. Minha nossa. Ela ia achar aquilo tudo uma tremenda caretice.
















*Quem teve a sorte de ver a exposição sobre a Clarice Lispector há anos, no CCBB, nunca vai esquecer aquele labirinto de sensações, cores, sons, onírico, vermelho, emocionante, que chegava ao ápice quando dávamos de cara com a sua máquina de escrever.