Ontem finalmente fui visitar o colégio onde estudei quando era criança, em Vila Isabel. A entrada era a mesma, linda. Eu queria subir a escada que dava para um pátio cheio de árvores, onde fazíamos educação física; ver a gruta que queríamos entrar escondidas, mas tínhamos medo; o pátio; a cantina onde eu comprava batata frita e delicado; a igrejinha - agora pintada de salmão escuro, cor que detesto - eu tinha crises de riso, e era obrigada a confessar pecados que não cometia: "falei palavrão, briguei com a minha mãe" - sempre os mesmos. Havia duas opções: confessar ou assistir a aula de matemática.


A porta escrito Clausura. Não sabia o que era aquilo, e a placa me causava arrepios. O palco onde fui atriz principal de uma peça infantil: quando começou me deu um branco e não consegui dizer nada. A mesa de pingue pongue, o parquinho. Encontrei uma pequena burocracia, agravada pelo fato de ter chegado na hora da entrada dos alunos. Na secretária,  me disseram que alguém teria que ir comigo. Achei chato. Mas Madre Teresa foi uma joia. Fez questão de mostrar tudo, e me senti num lugar qualquer, impessoal. Quadras de esporte, piscina, auditório. The horror.  Minha infância diluída.

Não sou muito nostálgica, e cada vez evito olhar pro passado, as partes ruins e boas, mas gosto de visitar lugares onde vivi. Um colégio de freiras é um pacote de traumas. (pelo menos agora é misto). Não sei como não sofria búlin, porque eu era um prato cheio: acho que caí no laguinho, mas não tenho certeza, e um dia, ao entrar no ônibus escolar, minha saia plissada azul escura prendeu na porta. E ficou.


Acho que o dia mais legal de todos foi quando minha mãe foi me levar até a porta. Eu tinha perdido o horário do ônibus. Talvez. Era comum as mães, donas de casa, se reunirem na entrada do colégio e ficarem falando mal da vida alheia. A minha chegou apressada, de tailleur e batom vermelho. "Batom de manhã?" - perguntou uma menina debochada. "É que minha mãe trabalha". Tóim.

A freira me contou que o colégio foi um presente do Visconde de Ouro Preto, ministro de Dom Pedro II, para atender os anseios da filha, que queria ser religiosa.










Anos atrás, soube que o Cony foi coroinha da igreja. Adorei essa história porque, né. Cony faz parte da minha vida: namorou minha mãe.