Preciso ir ao centro da cidade. Como é difícil encontrar um lugar onde cortem a borda de um cartaz com estilete. Existe uma rua só de gráficas. Parece um lugar cenográfico, é lúgubre e deserto. Me apontam uma. A escada é enorme, imunda e cheia de pregos enferrujados. "Moço, tenho medo que me sequestrem". Sou a patricinha do centro. Ele ri. Subo. A gráfica não tem espaço na mesa para usar estilete, ele tenta improvisar, desisto. Procuro outra. O dono diz que é muito bom nisso. Deixo os cartazes lá: "Volto já. Espera pra fazer quando eu voltar". Mas dou meia volta, pois esqueci algo. Ele estava cortando. Cortando tudo errado. Preciso ir ao centro da cidade hoje, mas chove. Eu deveria ter uma pasta de plástico com zíper para não molhar os cartazes.


Sou como aqueles caras que rodam pratos no ar. Cada prato representa uma coisa que preciso resolver. São muitos pratos. E sou eu e mim.